A venda do controle da Telecom Italia para a Poste Italiane pode, em tese, acionar o direito de tag along para os acionistas da TIM Brasil (TIMS3) — embora isso não seja automático e provavelmente dependa de análise da CVM e das autoridades regulatórias europeias. Essa é a avaliação do Bradesco BBI após a Anatel aprovar por unanimidade a mudança no controle indireto da TIM, da I-Systems e da TI Sparkle Brasil Telecomunicações.
Tag along é o direito que garante aos acionistas minoritários receberem o mesmo preço pago ao controlador em caso de venda do controle da empresa.
A aprovação da Anatel representa um passo procedimental necessário para a conclusão da transação e já era amplamente esperada pelo mercado.
“A aprovação da Anatel representa um passo procedimental necessário para a conclusão da transação e já era amplamente esperada pelo mercado”, afirmaram os analistas Daniel Federle e Flávia Meireles, do Bradesco BBI.
A decisão foi aprovada em circuito deliberativo realizado na segunda-feira (23), seguindo a aprovação do Cade, que havia liberado a operação sem restrições em 29 de abril.
Poste mira apenas o fechamento de capital da Telecom Italia
No estágio atual, o BBI entende que a intenção da Poste parece limitada ao fechamento de capital (delisting) da Telecom Italia na bolsa Euronext Milan, com a TIM Brasil permanecendo como empresa listada. A transação foi avaliada em € 10,8 bilhões e prevê a aquisição da totalidade do capital da companhia italiana, com oferta apresentada em 22 de março de 2026.
“No estágio atual, entendemos que a intenção da Poste parece limitada ao fechamento de capital da Telecom Italia, com a TIM Brasil permanecendo como empresa listada”, destacaram Federle e Meireles.
Entretanto, os analistas ressaltam que não se pode descartar a possibilidade de uma OPA no Brasil ou eventual venda das operações brasileiras no futuro.
Tag along é possível, mas não automático
O ponto mais relevante para os acionistas minoritários da TIM Brasil é a questão do tag along. A Poste Italiane era a maior acionista da Telecom Italia antes da operação, mas não detinha o controle — atuava apenas como acionista de referência.
“Com a aquisição do controle total, essa operação poderia, em tese, acionar o tag along no Brasil, embora isso não seja automático e provavelmente dependa de análise da CVM e das autoridades regulatórias europeias”, explicaram Daniel Federle e Flávia Meireles.






