O cenário político brasileiro voltou ao centro das preocupações dos investidores estrangeiros. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (21), o Bank of America relatou o humor captado ao longo de quatro dias de reuniões com clientes de renda variável em Londres e Paris — e o saldo foi de crescente cautela com a América Latina como um todo, com destaque para os riscos eleitorais na região.
Brasil, Colômbia e Peru no radar político
“No início do ano, uma possível virada à direita em vários países da região era citada como fator de apoio para as alocações em ações. Atualmente, os investidores veem incerteza significativamente maior em torno dos resultados eleitorais na Colômbia, no Peru e no Brasil”, registra o relatório do banco americano.
No caso brasileiro, os investidores observaram que uma eventual reeleição do presidente Lula implicaria continuidade de política — um cenário relativamente previsível. A maior preocupação, no entanto, está direcionada para possíveis vitórias de esquerda na Colômbia e no Peru e suas implicações para a direção das políticas econômicas nesses países.
Juros globais e bancos centrais sob pressão
Além do risco político, os investidores europeus demonstraram preocupação crescente com o impacto de juros globais mais altos sobre as moedas e os fluxos de capital para a região.
“Os investidores que encontramos destacaram preocupações com o aumento dos rendimentos globais e seu potencial impacto sobre as moedas e fluxos para a América Latina”, aponta o BofA.
O banco central brasileiro tem entregado cortes de 25 pontos-base por reunião, mas parte dos investidores acredita que pode ser forçado a pausar o ciclo em breve. No México, o banco central já interrompeu os cortes, enquanto os lucros corporativos não crescem e as incertezas em torno do acordo comercial USMCA se intensificam.
Rotação para tecnologia afasta capital da região
Um fator estrutural também pesa contra a América Latina no momento: a rotação global de ativos de valor para tecnologia continua drenando interesse da região.
“Uma capitulação desses fluxos poderia ajudar a reverter as saídas recentes de capital estrangeiro do Brasil, em particular”, analisa o relatório.
Apesar da correção recente nos preços das ações latino-americanas, os valuations ainda não parecem suficientemente atrativos aos olhos dos investidores internacionais.
Há algumas semanas, os clientes aguardavam o fim da guerra no Oriente Médio para aumentar posições na região. Agora, a pergunta que domina as conversas é outra: se precisam reduzir ainda mais a exposição.
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