O setor de Telecomunicações no Brasil deve apresentar resultados neutros no terceiro trimestre de 2026 (3T26), com sinais de desaceleração gradual, mas sem evidências de uma deterioração generalizada significativa. A avaliação considera o desempenho esperado das principais operadoras, Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3), em um cenário marcado pela concorrência intensa no mercado móvel e pela pressão sobre os preços.
As projeções do Bradesco BBI indicam que a receita de serviços da Vivo deve crescer 6,2% na comparação anual, enquanto a TIM deve registrar expansão de 5,4%. Apesar do ritmo mais moderado, a expectativa de uma leve ampliação das margens operacionais deve sustentar o crescimento do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA), estimado em 8,3% para a Vivo e 6,1% para a TIM.
A disputa por clientes continua intensa no setor de telecomunicações, com níveis elevados de portabilidade bruta, estratégias agressivas de preços e desempenho desigual na conquista de novos usuários entre as operadoras.
Crescimento da Nucel
Segundo a BBI, a Claro mantém uma posição relevante na portabilidade líquida, enquanto a Nucel apresenta crescimento expressivo. Ao mesmo tempo, o mercado enfrenta novas iniciativas comerciais que ampliam a pressão competitiva sobre as empresas tradicionais.
Entre os movimentos recentes está o lançamento do TIM Fit, que concorre diretamente com o Claro Flex e o Vivo Easy. A Nucel também lançou novos planos, incluindo uma oferta de 17 GB por R$ 10 para clientes da Croma.
Outro fator de mudança é a entrada do PicPay no mercado de planos móveis, por meio de uma parceria com a TIM. Além disso, a Nio, da V.tal, pretende oferecer garantia de preço vitalícia, estratégia que pode aumentar a pressão sobre as políticas comerciais das concorrentes.
Por outro lado, há sinais pontuais de alívio na competição. Alguns planos pré-pagos deixaram de oferecer acesso gratuito ao WhatsApp sem desconto da franquia de dados, o que pode contribuir para reduzir parte das vantagens comerciais oferecidas aos consumidores.
Vivo e TIM devem manter crescimento operacional
Mesmo com a desaceleração prevista, as duas principais operadoras analisadas devem preservar um desempenho operacional positivo no terceiro trimestre.
A Vivo deve combinar crescimento de 6,2% na receita de serviços com expansão de 8,3% no EBITDA. Para a TIM, as projeções apontam avanço de 5,4% na receita de serviços e de 6,1% no EBITDA.
As estimativas foram ajustadas marginalmente para incorporar melhorias na eficiência de custos e nos resultados financeiros. Ainda assim, as recomendações de investimento permanecem neutras para as duas empresas.
Os preços-alvo também foram mantidos em R$ 36 para a Vivo e R$ 23 para a TIM, indicando que, apesar das avaliações consideradas pouco exigentes, ainda existem limitações para uma valorização mais consistente das ações.
Avaliações atrativas, mas com potencial de recuperação limitado
As ações das operadoras apresentam indicadores de avaliação considerados baixos. A estimativa de rendimento do fluxo de caixa é de 11% para a Vivo, ou 10% quando excluídas as vendas de ativos, e de 15% para a TIM. Para comparação, o rendimento dos títulos públicos indexados à inflação está próximo de 7%.
Apesar dessa diferença, a expectativa é de que as empresas de telecomunicações não sejam necessariamente as principais beneficiárias de uma eventual melhora do sentimento do mercado financeiro.
Entre os fatores que limitam esse potencial estão as posições de caixa líquido das companhias, a curta duração dos fluxos de caixa e a sensibilidade relativamente baixa às mudanças do cenário macroeconômico.
A avaliação é que os preços descontados podem favorecer recuperações pontuais das ações, mas esses movimentos tendem a ser limitados enquanto não houver uma melhora estrutural das condições competitivas e dos fundamentos do setor.
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