Apesar da rápida expansão de empresas como Starlink e Amazon Leo, o avanço das redes de satélites de baixa órbita terrestre (LEO) não deve provocar uma disrupção significativa no setor de telecomunicações na América Latina. Essa é a principal conclusão de um relatório do Santander, que avalia que a tecnologia via satélite tende a complementar as redes terrestres de banda larga fixa e telefonia móvel, e não substituí-las.
O estudo foi motivado pela crescente preocupação de investidores após a SpaceX adquirir os ativos de espectro da EchoStar nos Estados Unidos, operação que ampliou as perspectivas para a oferta de serviços direct-to-cell — tecnologia que permite a conexão direta entre satélites e telefones celulares. A movimentação levantou dúvidas sobre uma possível expansão desse modelo para mercados como o brasileiro e seus potenciais impactos sobre operadoras como Vivo (VIVT3), TIM (TIMS3) e América Móvil.
Na avaliação dos analistas, as limitações técnicas ainda impedem que os serviços via satélite concorram em igualdade com as redes terrestres 4G, 5G e de fibra óptica, especialmente em centros urbanos e áreas densamente povoadas.
Fibra ainda oferece maior capacidade
Segundo o Santander, a fibra continua oferecendo maior capacidade, estabilidade e confiabilidade, enquanto os serviços direct-to-cell ainda não entregam uma experiência comparável à das redes móveis convencionais, sobretudo em ambientes fechados ou com alta concentração de usuários.
Por isso, o banco acredita que a atuação dos operadores de satélites deve permanecer concentrada em nichos específicos. Entre os principais casos de uso estão a oferta de banda larga para regiões remotas ou de difícil acesso, a expansão da cobertura móvel em parceria com operadoras locais e aplicações voltadas aos segmentos corporativo, governamental e de resiliência das redes.
O Brasil foi utilizado como principal estudo de caso devido às características do mercado, como a grande extensão territorial, a baixa densidade populacional em diversas regiões e o crescimento da Starlink no segmento de banda larga fixa nos últimos anos.
Com base em uma metodologia que considera a densidade populacional, o Santander conclui que esses mercados potenciais dificilmente representarão um risco relevante para a base de clientes ou para as receitas das empresas de telecomunicações no curto e médio prazo.
Para o banco, o cenário mais provável é de complementaridade entre as tecnologias, com os satélites ampliando a conectividade em áreas onde as redes terrestres ainda enfrentam limitações, sem alterar de forma estrutural a dinâmica competitiva das operadoras tradicionais.
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