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JHSF é “quase” uma empresa de receitas recorrentes

JHSF é “quase” uma empresa de receitas recorrentes

Com novo preço-alvo de R$ 10,80 e custo de capital reduzido, Santander vê progresso estratégico, mas ação já negocia 50% acima dos pares

O Santander atualizou seu modelo para a JHSF (JHSF3) e elevou o preço-alvo das ações para R$ 10,80, mas manteve a recomendação de manutenção.

O relatório, assinado pelos analistas Fanny Oreng, Matheus Meloni e Luis Wadt, incorpora três eventos recentes: os resultados do primeiro trimestre de 2026, a conclusão da venda do estoque de incorporação para o FII JHSF Capital Desenvolvimento Imobiliário por R$ 5,2 bilhões, e a aquisição de um operador de base fixa (FBO) no Aeroporto de Miami.

Transformação estratégica em curso

A movimentação mais relevante captada pelo banco é a mudança estrutural no perfil de negócios da JHSF.

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“Com a conclusão da transação dos imóveis, a JHSF se aproxima de seu objetivo estratégico de se tornar, principalmente, um negócio dominado por receita recorrente, em vez de uma incorporadora imobiliária”, afirmam os analistas Fanny Oreng, Matheus Meloni e Luis Wadt.

A estimativa do Santander é de que, em 2027, cerca de 77% da receita bruta da companhia virá de negócios recorrentes — ante apenas 42% em 2025. A transformação reduz a volatilidade do modelo e diminui o perfil de risco da empresa, o que justificou a redução do custo de capital próprio (Ke) de 17,6% para 15,4% no modelo atualizado.

Estimativas revisadas para cima

A revisão das projeções foi expressiva.

“Aumentamos nossas estimativas de receita líquida recorrente para 2026 e 2027 em 31% e 50%, respectivamente, principalmente associadas às receitas de Shoppings e Varejo”, detalham Oreng, Meloni e Wadt.

Esses ajustes, combinados com o custo de capital menor, explicam a elevação do preço-alvo. A aquisição do FBO em Miami também foi incorporada ao modelo, adicionando uma nova frente de receita recorrente internacionalizada ao portfólio da companhia.

Valuation esticado limita a recomendação

Apesar do reconhecimento da evolução estratégica, o Santander não muda o tom da recomendação.

“Mantemos nossa recomendação de manutenção, pois a ação já está sendo negociada com um prêmio de valuation em relação a outras empresas imobiliárias — atualmente a 12,5x P/AFFO para 2027, em comparação com uma média de 8,3x para as operadoras de shoppings no Brasil”, concluem os analistas.

O prêmio de 50% em relação aos pares do setor cria uma barreira para uma recomendação mais construtiva, mesmo reconhecendo que a qualidade dos ativos e a transformação do modelo de negócios justificam alguma diferenciação de múltiplo no mercado.