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Simpar dispara após venda de ativo portuário e BTG vê avanço na desalavancagem

Simpar dispara após venda de ativo portuário e BTG vê avanço na desalavancagem

Em relatório, o BTG Pactual classificou a operação como um importante passo na estratégia de reciclagem de capital da companhia

As ações da Simpar (SIMH3) figuraram entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira (23), avançando mais de 4,70%, após o anúncio da venda de sua operação portuária CS Porto Aratu. Em relatório, o BTG Pactual classificou a operação como um importante passo na estratégia de reciclagem de capital da companhia, destacando que a transação acelera o processo de desalavancagem e cristaliza valor de um ativo maduro.

A Simpar informou que sua subsidiária de infraestrutura, a CS Brasil Holding, assinou um acordo para vender 100% das operadoras portuárias ATU12 e ATU18, que compõem o CS Porto Aratu, para a ICTSI Americas, subsidiária da operadora global de terminais ICTSI, das Filipinas. A transação atribui um Enterprise Value de R$ 1,8 bilhão ao ativo, sendo R$ 750 milhões em valor do patrimônio e R$ 1 bilhão em dívida líquida, considerando os números do primeiro trimestre de 2026.

Reciclagem de capital

Segundo o BTG, a venda representa um movimento positivo de reciclagem de capital. Do valor destinado aos acionistas, R$ 650 milhões serão pagos no fechamento da operação e outros R$ 100 milhões serão recebidos em um mecanismo de earn-out, previsto para até 18 meses após a conclusão do negócio. A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da autorização do poder concedente.

Na avaliação dos analistas, os recursos deverão reduzir a dívida líquida da holding para cerca de R$ 800 milhões, enquanto a alavancagem consolidada do grupo deve cair para aproximadamente 2,7 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.

Retorno elevado

O BTG destacou ainda o retorno obtido pela Simpar com o investimento no ativo portuário. Após vencer o leilão da concessão em 2020, a companhia investiu cerca de R$ 900 milhões na modernização do Porto de Aratu, na Bahia, transformando uma estrutura considerada obsoleta em uma plataforma logística voltada ao escoamento da produção agrícola da região do MATOPIBA.

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Durante esse período, a capacidade operacional do terminal aumentou cinco vezes, atingindo 9,5 milhões de toneladas por ano, enquanto a capacidade de armazenagem chegou a 270 mil toneladas. O ativo também passou a operar navios do tipo Panamax e tem potencial para atender embarcações de maior porte.

De acordo com o banco, a Simpar investiu R$ 128 milhões em capital próprio no projeto e alcançou um múltiplo de retorno sobre o investimento (MOIC) de 5,8 vezes ao longo de um período médio de 3,6 anos.

Desalavancagem

O BTG ressaltou que a venda reforça o histórico de reciclagem de ativos da companhia. Considerando também as alienações da Ciclus Rio e da Ciclus Amazônia, a Simpar acumula retorno médio de 2,9 vezes sobre o capital investido e taxa interna de retorno (TIR) de 36%, em ativos que somam Enterprise Value de R$ 3,9 bilhões.

Na visão dos analistas, a entrada de recursos provenientes da operação atende a uma demanda recorrente dos investidores por uma redução do endividamento da holding, fortalecendo a tese de investimento da companhia e justificando a reação positiva das ações no pregão desta quarta-feira.