A volatilidade do petróleo brent ao longo de 2026 — que oscilou entre US$ 60 e US$ 130 por barril em apenas seis meses — trouxe um desafio incomum para os analistas de empresas de petróleo: como definir um preço-alvo razoável quando o principal insumo do modelo muda violentamente de um momento para o outro?
Para responder a essa pergunta, Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, propõe uma inversão metodológica na avaliação da Prio (PRIO3).
“Ao invés de considerarmos uma premissa de curva de preços do brent para alcançar um preço-alvo, sugerimos fazer o contrário: qual o preço do petróleo que justifica o preço de tela do mercado para a Prio?”, explica Sousa.
Uma nova lógica de avaliação
A abordagem parte da distinção entre o preço do brent no curto e no longo prazo. No curto prazo, a commodity reflete eventos pontuais — guerras, acordos de paz, variações de oferta e demanda —, que podem mover o preço de forma agressiva e temporária.
No longo prazo, o brent tende a convergir para um preço de equilíbrio estrutural, que ao longo de 2026 se manteve relativamente estável na faixa de US$ 62 a US$ 67 por barril, mesmo com toda a volatilidade do mercado à vista.
“Se por um lado o preço do petróleo oscilou entre US$ 60 e US$ 130 por barril em um horizonte de apenas seis meses, o preço de longo prazo ficou razoavelmente constante no mesmo período”, destaca Sousa.
A linha do tempo de 2026 ilustra bem esse movimento: no início do ano, o cenário-base era de excesso de oferta com brent em torno de US$ 60.
Com o fechamento do Estreito de Ormuz, o preço ultrapassou US$ 100. Depois, recuou com o acordo de paz e voltou a subir com o acirramento dos conflitos — um verdadeiro ciclo de “estou rico, estou pobre”.
Quando vender a Prio?
Com base nessa metodologia, a Genial estima que o momento correto para vender as ações da Prio seria acima de R$ 65 por ação. Nesse patamar, o brent implícito necessário para justificar a cotação começaria a se descolar de forma expressiva do preço de equilíbrio de longo prazo, reduzindo a margem de segurança do investimento.
“A ação teria que ser vendida no momento em que o preço do ativo representasse um brent implícito acima do preço de equilíbrio de longo prazo”, afirma Sousa.
No nível atual de preços, a Prio negocia com brent implícito de aproximadamente US$ 63,5 por barril — ainda abaixo do teto da faixa de equilíbrio de longo prazo, mas com margem de segurança mais limitada do que em momentos anteriores.
“Ainda existe espaço para apreciação tendo em vista o mercado à vista, ainda que com uma margem de segurança mais limitada”, pondera o analista.
Com isso, a Genial mantém recomendação neutra para a Prio (PRIO3), reconhecendo o potencial de valorização remanescente, mas sem enxergar assimetria suficiente para uma recomendação de compra no momento atual.






