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Shoppings desafiam juros altos e mantêm crescimento de receitas, aponta BB

Shoppings desafiam juros altos e mantêm crescimento de receitas, aponta BB

A avaliação é do BB Investimentos, que destaca a resiliência de empresas como Allos e Multiplan em um ambiente que, à primeira vista, seria desfavorável

Mesmo pressionadas por um cenário de juros elevados e perspectivas menos favoráveis para o ciclo de afrouxamento monetário no Brasil, as administradoras de shopping centers seguem demonstrando capacidade de expansão de receitas e geração de caixa. A avaliação é do BB Investimentos, que destaca a resiliência de empresas como Allos (ALOS3) e Multiplan (MULT3) em um ambiente que, à primeira vista, seria desfavorável para o setor.

As ações das companhias de shopping centers recuaram em bloco em maio, acompanhando o movimento de aversão ao risco observado no mercado. Ainda assim, o desempenho foi ligeiramente melhor do que o do Ibovespa no período. O principal desafio para o segmento continua sendo a perspectiva de cortes de juros mais lentos do que o esperado anteriormente, conforme as projeções mais recentes do Boletim Focus.

A preocupação não é trivial. As administradoras de shopping estão entre os setores com maior grau de alavancagem da economia brasileira, o que torna o custo da dívida um fator relevante para seus resultados. Em um ambiente de juros elevados por mais tempo, o impacto financeiro tende a ser mais significativo.

Resultados de shopping center são positivos

Apesar disso, os resultados do primeiro trimestre de 2026 mostraram um cenário mais positivo. Allos e Multiplan registraram crescimento das receitas de locação mesmo em um contexto em que o IGP-DI — principal índice utilizado para reajustar contratos de aluguel em shopping centers — permaneceu em terreno negativo na comparação acumulada de 12 meses.

Segundo o BB Investimentos, o desempenho evidencia a capacidade das grandes operadoras de adaptar o mix de lojas de seus empreendimentos, atraindo negócios mais rentáveis e ampliando o potencial de geração de caixa. O movimento tem sido acompanhado por um crescimento consistente das vendas nos shoppings ao longo dos últimos trimestres, reforçando a recuperação operacional do setor.

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Outro fator que começa a jogar a favor das empresas é a retomada da inflação medida pelo IGP-DI. Os dados mais recentes, referentes a maio de 2026, apontam alta de 2,5% em 12 meses. Caso essa tendência seja mantida, o índice poderá voltar a contribuir de forma orgânica para o crescimento das receitas de aluguel, principal fonte de faturamento das administradoras.

Construção civil

No segmento de construção civil, o cenário também foi marcado por volatilidade em maio. O índice imobiliário acumulou a terceira queda mensal consecutiva, com recuo de 3,6%, embora tenha superado o desempenho do Ibovespa, que caiu 7,2% no mesmo período.

O BB Investimentos destaca que algumas empresas conseguiram entregar valorização de suas ações impulsionadas pelos resultados do primeiro trimestre e pelas novas regras do programa Minha Casa Minha Vida. As mudanças incluem o aumento dos limites de renda para acesso ao programa e a ampliação dos valores financiáveis nas faixas de renda média, medidas que devem sustentar o ritmo de vendas do segmento econômico ao longo de 2026.

Entre os destaques do mês, a Tenda registrou alta de 16,3% após divulgar forte crescimento operacional. O lucro líquido da companhia dobrou na comparação anual, além do anúncio da entrada no mercado de João Pessoa (PB).

A Cury avançou 7,4%, beneficiada por vendas acima dos níveis anteriores e pela manutenção de uma das maiores velocidades de comercialização do setor. Já a Direcional acumulou valorização de 4,2%, apoiada pelo crescimento dos lançamentos, das vendas e pelo avanço de 30% do lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado.

Empresas voltadas para os segmentos de média e alta renda, como Cyrela e EZTEC, tiveram desempenho mais moderado, mas ainda conseguiram superar a performance do principal índice da bolsa brasileira no mês.