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Sem “macro” favorável, Randon busca o “micro” para rodar em 2026

Sem “macro” favorável, Randon busca o “micro” para rodar em 2026

A estratégia, segundo relatório do banco Safra, passa por explorar alavancas microeconômicas específicas para sustentar volumes, rentabilidade e desalavancagem financeira

Em um cenário ainda marcado por juros elevados, atividade econômica contida e incertezas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, a Randon (RAPT4) entra em 2026 sem a ajuda de um pano de fundo macroeconômico favorável. A estratégia, segundo relatório do banco Safra, passa por explorar alavancas microeconômicas específicas para sustentar volumes, rentabilidade e desalavancagem financeira ao longo do ano.

O Safra atualizou suas estimativas para a Randon (RAPT4) e elevou o preço-alvo em 12 meses para R$ 9,00 por ação, ante R$ 7,80 anteriormente, o que representa um potencial de valorização de 34%. A recomendação de compra foi mantida. A ação negocia atualmente a 5,2 vezes EV/EBITDA projetado para 2026, múltiplo em linha com sua média histórica, refletindo, na visão do banco, um valuation ainda atrativo diante das perspectivas operacionais.

Randon: ajustes operacionais como eixo central

Apesar do ambiente macro adverso, o Safra avalia que o quadro microeconômico da Randon tende a se mostrar menos deteriorado em 2026. Entre os principais vetores estão o contrato recentemente conquistado no segmento de vagões ferroviários, o avanço gradual do contrato da subsidiária Suspensys com a Mercedes-Benz e a expectativa de impacto positivo do programa Move Brasil, que prevê subsídios governamentais para a compra de caminhões.

Esses fatores devem ajudar a reduzir a pressão sobre volumes, ainda afetados por juros elevados e pela atividade enfraquecida do agronegócio. Paralelamente, a companhia promoveu ajustes relevantes de capacidade, especialmente no segmento de semirreboques, adequando a produção à demanda atual. Esse movimento tende a sustentar ganhos de eficiência e margens.

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O banco projeta margem EBITDA de 13,8% em 2026, acima dos 12,6% estimados para 2025, impulsionada pela disciplina operacional e pela continuidade da otimização do capital de giro. Esse conjunto deve reforçar a trajetória de desalavancagem da companhia, um ponto considerado chave para a tese de investimento.

O relatório destaca três temas centrais no radar para o ano. O primeiro é o próprio programa Move Brasil, visto como um estímulo relevante para a demanda por caminhões. O segundo é a expectativa de um mercado de vagões aquecido, em um contexto de investimentos em logística e transporte ferroviário. O terceiro é a evolução do mercado norte-americano, ainda pressionado, mas crucial para a dinâmica de volumes e rentabilidade do grupo.

Frasle também mantém viés positivo

O Safra também revisou suas projeções para a Frasle Mobility (FRAS3), elevando o preço-alvo para R$ 30,30 por ação, ante R$ 29,00, com potencial de alta de 22% e manutenção da recomendação de compra. A empresa negocia a 7,6 vezes EV/EBITDA projetado para 2026, cerca de 10% acima de sua média histórica.

Para a Frasle, o banco projeta crescimento de receita de 8,2% na comparação anual, ritmo mais moderado que nos últimos anos, refletindo uma base comparativa mais exigente após a integração da Dacomsa e o impacto dos juros elevados no Brasil. Esse ambiente tem levado distribuidores a reduzirem estoques e consumidores a priorizarem manutenção essencial, pressionando o ticket médio.

Ainda assim, a expectativa é de que a companhia continue ganhando participação de mercado. No exterior, apesar da pressão persistente nos Estados Unidos, o lançamento de novas linhas no México deve sustentar o crescimento internacional. Em rentabilidade, a margem EBITDA é estimada em 18,8% em 2026, acima dos 18,3% projetados para 2025, com a captura contínua de sinergias da Dacomsa.

Riscos no radar

O Safra ressalta que a tese segue sensível a uma série de riscos, incluindo atividade econômica mais fraca, maior despesa financeira, desaceleração do agronegócio, aumento da concorrência, dificuldades na integração de aquisições, volatilidade nos preços de commodities e eventuais tarifas dos Estados Unidos que afetem volumes de veículos pesados na América do Norte.

Ainda assim, a leitura central do banco é que, na ausência de um “macro” benigno, a Randon e suas controladas apostam na execução, na disciplina operacional e em catalisadores específicos para atravessar 2026 com maior previsibilidade e geração de valor.

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