A tentativa de acordo envolvendo a Oncoclínicas (ONCO3) fracassou: Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3) encerraram as negociações por uma operação de aporte de capital e reestruturação de ativos da companhia (R$1 bilhão), de acordo com o BTG Pactual.
O acordo previa a criação de uma nova estrutura (NewCo), com participação de Fleury e Porto, além de financiamento adicional via debêntures. No entanto, o período de exclusividade de 30 dias foi encerrado sem consenso, levando ao abandono das tratativas.
Segundo o banco, o desfecho já era amplamente esperado pelo mercado, considerando a complexidade da operação e os riscos envolvidos na estrutura financeira da Oncoclínicas.
Situação financeira da Oncoclínicas pesa na decisão
A decisão de Porto e Fleury reflete, principalmente, o cenário financeiro delicado da Oncoclínicas. A companhia enfrenta elevado nível de endividamento e chegou a violar covenants de dívida no quarto trimestre, entrando em um processo de standstill com credores.
Além disso, há preocupações sobre possíveis passivos fora do balanço, o que aumenta a incerteza sobre o real tamanho das obrigações financeiras. Para empresas com balanços sólidos como Porto e Fleury, esse nível de risco dificultou justificar um investimento relevante.
Na prática, a análise do BTG indica que a relação risco-retorno da operação não se mostrou atrativa, especialmente diante da necessidade de uma diligência aprofundada e de possíveis surpresas negativas no processo.
Impactos no setor favorecem concorrentes
O fim das negociações entre Porto, Fleury e Oncoclínicas tende a beneficiar concorrentes diretos, especialmente players já consolidados no segmento de oncologia. O BTG destaca que empresas como a Rede D’Or vêm capturando demanda adicional desde a deterioração operacional da Oncoclínicas .
Relatos de mercado indicam que a Oncoclínicas enfrentou atrasos em tratamentos, afetando milhares de pacientes, em parte devido a problemas no fornecimento de medicamentos. Esse cenário tem impulsionado a migração de demanda para concorrentes mais estruturados.
Com a saída de Porto e Fleury da negociação, a expectativa é de que essa tendência se intensifique nos próximos meses, ampliando a vantagem competitiva de grupos com maior capacidade operacional e financeira.
Perspectivas seguem incertas para Oncoclínicas
Apesar do fim das tratativas com Porto e Fleury, a Oncoclínicas ainda busca alternativas para reestruturação. Há sinais de que acionistas de referência avaliam alternativas, mas a visibilidade sobre os próximos passos ainda é baixa.
O BTG mantém uma visão cautelosa sobre a companhia, destacando que o processo de reestruturação deve ser longo e complexo. A incerteza sobre a continuidade operacional e a estrutura de capital segue no radar dos investidores.
Enquanto isso, Porto e Fleury seguem com suas estratégias independentes, reforçando a disciplina financeira e evitando exposição a ativos com elevado risco.
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