O mercado acionário americano acompanha com expectativa os possíveis IPOs de gigantes da tecnologia, diante da perspectiva de uma nova geração de megacompanhias estrear na Bolsa de Nova York.
Empresas ligadas à exploração espacial e à inteligência artificial passaram a ocupar o centro das atenções em Wall Street, impulsionadas pelo avanço acelerado da IA generativa e pelo interesse crescente de investidores globais.
Entre os nomes mais citados por analistas estão a SpaceX, controlada por Elon Musk, além da OpenAI e da Anthropic, referências no desenvolvimento de plataformas de inteligência artificial.
A expectativa do mercado é que a SpaceX seja a primeira a avançar nesse movimento. Estimativas de analistas indicam que a empresa espacial poderia captar até US$ 80 bilhões em uma eventual oferta de ações, número que superaria o volume total levantado por IPOs nos Estados Unidos ao longo de 2025. Há ainda projeções que apontam para uma avaliação próxima de US$ 2 trilhões.
Já a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, é vista por especialistas como outra forte candidata a buscar recursos no mercado acionário nos próximos meses. A Anthropic, criadora da plataforma Claude, também vem sendo associada a uma possível listagem futura após informações divulgadas pelo Financial Times indicarem conversas preliminares com bancos e assessores jurídicos especializados.
Caso as ofertas avancem, estimativas do setor apontam que OpenAI e Anthropic poderiam movimentar cerca de US$ 60 bilhões cada em suas respectivas estreias na bolsa.
Mercado observa riscos de valorização excessiva
Os números chamam atenção quando comparados aos maiores IPOs já realizados nos EUA. Até hoje, a maior abertura de capital do mercado americano continua sendo a da Alibaba, em 2014, quando a companhia chinesa levantou aproximadamente US$ 22 bilhões.
Ao mesmo tempo em que o entusiasmo com empresas de inteligência artificial cresce, parte dos analistas demonstra preocupação com os níveis atuais de valorização do setor. O temor é que o mercado esteja formando uma bolha financeira, marcada por preços muito acima dos resultados efetivamente entregues pelas companhias.
No caso da SpaceX, por exemplo, projeções de mercado que estimam valor próximo de US$ 2 trilhões representariam múltiplos superiores a 100 vezes a receita anual da empresa, calculada em cerca de US$ 18 bilhões no último ano.
A comparação com a Nvidia ajuda a ilustrar o cenário. Atualmente, a fabricante de chips é negociada a cerca de 23 vezes sua receita anual, segundo dados do MarketWatch. Ainda assim, a SpaceX chegaria ao mercado com uma relação ainda mais elevada e sem apresentar lucro líquido. No primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou prejuízo de US$ 4,3 bilhões.
Especialistas alertam que uma eventual correção brusca nas ações ligadas à inteligência artificial poderia gerar impactos amplos nos mercados globais. Para investidores brasileiros, isso poderia atingir diretamente aplicações em BDRs, ETFs internacionais e fundos expostos ao setor de tecnologia americano.






