O Santander Espanha anunciou sua intenção de lançar uma oferta de troca para adquirir as ações ordinárias, preferenciais, units e ADS do Santander Brasil (SANB11) ainda em circulação no mercado — equivalentes a cerca de 10% do capital social da subsidiária brasileira.
A proposta implica prêmio de 15% sobre o preço de fechamento de R$ 25,25 por ação registrado em 30 de julho de 2026. Para o Bradesco BBI, a operação ocorre em um momento operacional ainda desafiador para o banco brasileiro.
“Assim como já fez em outros mercados, o Santander Espanha anunciou sua intenção de adquirir o free float remanescente de sua subsidiária brasileira, oferecendo aos minoritários uma avaliação próxima de 1,1 vez o valor patrimonial reportado no segundo trimestre de 2026”, afirmam Marcelo Mizrahi e Ricardo França, analistas do Bradesco BBI.
Estrutura da oferta
A operação será realizada por meio de novas ações emitidas pelo Banco Santander, que podem representar até 1,1% do capital social do banco espanhol — aproximadamente 156 milhões de ações. A oferta não estará sujeita a uma condição mínima de adesão.
Os acionistas que aceitarem a proposta receberão 0,4056 ação recém-emitida do Banco Santander por unit ou ADS do Santander Brasil, ou 0,2028 ação por ação ordinária ou preferencial da subsidiária.
“A oferta representa um prêmio de 15% sobre o fechamento de 30 de julho, mas chega em um momento em que o Santander Brasil ainda enfrenta desafios relevantes em sua trajetória de recuperação operacional”, destacam Mizrahi e França.
Estimativas cortadas e ROE abaixo do custo de capital
Em paralelo ao anúncio da oferta, o Bradesco BBI incorporou os resultados do segundo trimestre de 2026 às suas estimativas para o Santander Brasil, refletindo tendências mais fracas de receita — tanto em margem financeira quanto em tarifas — e maiores despesas de provisão para 2026 e 2027.
Como resultado, o banco reduziu suas projeções de lucro líquido em 15% a 16% para os dois anos, para R$ 13,2 bilhões em 2026 e R$ 14,5 bilhões em 2027, implicando ROE de 13,4% e 13,8%, respectivamente.
“Após as revisões, esperamos que o ROE permaneça abaixo do custo de capital pelo menos até o quarto trimestre de 2027, refletindo um perfil de lucros ainda pressionado e um caminho mais longo para a retomada de uma rentabilidade sustentável”, concluem Marcelo Mizrahi e Ricardo França.
O Bradesco BBI fixou novo preço-alvo de R$ 27 por ação para o fim de 2027 e mantém recomendação neutra para o papel.






