A restituição do IR referente ao terceiro lote regular foi paga nesta sexta-feira (31), marcando o encerramento da fila de declarações aptas ao recebimento neste ciclo da Receita Federal. Quem esperava o crédito e não recebeu os valores deve consultar imediatamente a situação da declaração, já que os casos pendentes estão relacionados, em sua maioria, à malha fina ou a inconsistências nos dados informados para o recebimento do Imposto de Renda.
Ao todo, foram creditadas 2.743.200 restituições, que somam R$ 4,61 bilhões. Embora o calendário da Receita Federal ainda preveja um quarto pagamento, marcado para 31 de agosto, o órgão informou que o depósito realizado nesta sexta-feira encerra a fila das declarações aptas à restituição do IRPF 2026. Assim, a próxima data será destinada principalmente aos contribuintes que regularizarem pendências, como retenção em malha fiscal ou problemas nos dados bancários, e forem incluídos nos lotes residuais.
Consulta da declaração é o primeiro passo
Para identificar o motivo da ausência do pagamento, o contribuinte deve acessar o portal e-CAC ou a área Meu Imposto de Renda, disponível também no aplicativo da Receita Federal. No Extrato de Processamento da DIRPF é possível verificar se a declaração foi processada normalmente, se caiu na malha fiscal ou se existem inconsistências que impedem a liberação da restituição.
Segundo Richard Domingos, diretor-executivo da Confirp Contabilidade, a orientação é agir rapidamente. “Quem esperava receber a restituição neste lote e não encontrou o crédito deve verificar imediatamente a situação da declaração. Na maioria dos casos, isso ocorre porque ela foi retida em malha fiscal ou existe alguma inconsistência que impede a liberação da restituição. Quanto mais cedo essa verificação for feita, mais rapidamente o contribuinte poderá regularizar a situação e ser incluído em um dos próximos lotes residuais da Receita Federal.”
O especialista destaca ainda que consultar apenas a conta bancária não é suficiente. O mais importante é analisar o processamento da declaração para entender a origem da pendência e tomar as providências necessárias.
Estar na malha fina não significa fraude
Muitos contribuintes associam automaticamente a malha fina a irregularidades graves, mas essa interpretação nem sempre corresponde à realidade. Na maior parte dos casos, a retenção ocorre porque foram identificadas divergências entre as informações declaradas e os dados enviados por empresas, instituições financeiras, planos de saúde ou outras fontes obrigadas a prestar informações ao Fisco.
Entre os motivos mais comuns estão omissão de rendimentos, diferenças nos valores informados pelas fontes pagadoras, despesas médicas sem comprovação, dependentes declarados em mais de uma declaração e inconsistências relacionadas à previdência privada ou instituições financeiras.
“Na maioria das situações, a retenção ocorre porque existem divergências de informações que precisam ser esclarecidas ou corrigidas. O importante é identificar rapidamente a origem da pendência”, afirma Richard Domingos.
Erros na chave Pix também impediram pagamentos
Nem todos os contribuintes que ficaram sem receber tiveram a declaração retida na malha fina. A Receita Federal informou que aproximadamente 165 mil restituições deixaram de ser creditadas porque o CPF foi informado como chave Pix, mas não havia uma conta bancária vinculada a essa chave.
Nesses casos, a regularização pode ser feita cadastrando a chave Pix CPF em uma instituição financeira, alterando a conta indicada para o recebimento por meio do serviço Meu Imposto de Renda ou apresentando uma declaração retificadora com outra conta bancária de titularidade do contribuinte.
Caso a declaração esteja efetivamente retida em malha fiscal e seja identificado algum erro, também é possível enviar uma declaração retificadora, desde que ainda não tenha sido iniciado procedimento de fiscalização relacionado àquele documento.
Regularização aumenta as chances de receber nos próximos lotes
Embora a legislação permita a retificação da declaração em diversas situações, especialistas alertam que não vale a pena adiar a regularização. Quanto antes o contribuinte solucionar a pendência, maiores serão as chances de inclusão nos próximos lotes residuais da Receita Federal.
Richard Domingos reforça que nem toda retenção representa erro do contribuinte, mas acompanhar regularmente o Extrato de Processamento da DIRPF é a melhor forma de identificar rapidamente qualquer inconsistência e evitar atrasos desnecessários no recebimento da restituição do IR.
O calendário da Receita Federal ainda prevê um pagamento em 31 de agosto, mas esse crédito não contemplará novas declarações regulares que aguardavam processamento. A expectativa é que sejam beneficiados contribuintes que resolverem pendências identificadas pela Receita e tiverem suas restituições liberadas após análise ou retificação da declaração.






