A Ecorodovias (ECOR3) divulgou resultados do segundo trimestre de 2026 com desempenho operacional resiliente, mas lucro líquido pressionado por fatores tributários e financeiros. A receita líquida atingiu R$ 1,837 bilhão e o Ebitda ajustado somou R$ 1,348 bilhão — ambos em linha com as estimativas do Bradesco BBI.
No entanto, o lucro líquido ajustado de R$ 53 milhões representou queda de 74% na comparação anual, frustrando as expectativas do mercado.
“Apesar da pressão no lucro líquido devido a questões tributárias e financeiras, avaliamos o resultado da Ecorodovias como positivo, sustentado por uma operação robusta e controle de custos nas concessões”, afirmam André Ferreira e J. Ricardo Rosalen, analistas do Bradesco BBI.
Operação cresce com tráfego pesado e tarifas
Em bases comparáveis — excluindo o encerramento da concessão da Ecovias Sul —, a receita e o Ebitda apresentaram forte expansão no segundo trimestre de 2026. O crescimento foi impulsionado pelo aumento do tráfego de veículos pesados e pelos reajustes tarifários aplicados ao longo do período.
“Em bases comparáveis, o desempenho operacional foi expressivo, com o crescimento do tráfego de veículos pesados e os reajustes tarifários como principais vetores de expansão da receita e do Ebitda no trimestre”, destacam Ferreira e Rosalen.
O controle de custos nas concessões também contribuiu para sustentar as margens operacionais em patamar saudável.
Imposto corrói o resultado financeiro
O principal detrator do resultado foi uma despesa de imposto de renda muito acima do projetado. A alíquota efetiva de imposto de renda atingiu 94% no trimestre, impactada por créditos fiscais não constituídos e ajustes a valor presente.
“A alíquota efetiva de imposto de renda de 94% foi o principal fator de pressão sobre o lucro líquido no segundo trimestre, decorrente de créditos fiscais não constituídos e ajustes a valor presente”, explicam os analistas.
A alavancagem financeira também registrou leve alta, encerrando o segundo trimestre de 2026 em 4,1 vezes a relação dívida líquida/Ebitda.
“O aumento modesto da alavancagem reflete o perfil de investimentos da companhia, mas segue dentro de níveis compatíveis com a geração de caixa operacional das concessões”, avaliam Ferreira e Rosalen.
Valuation atrativo sustenta visão positiva
Apesar dos ruídos de curto prazo, o Bradesco BBI mantém visão positiva para a Ecorodovias, sustentada pelo valuation atrativo. A companhia negocia a uma TIR (Taxa Interna de Retorno) real de 17,7%, com prêmio de 9,7 pontos percentuais em relação ao rendimento das NTN-Bs — spread considerado elevado e que reflete uma assimetria favorável para o investidor de longo prazo.
“A empresa negocia a uma atrativa TIR real de 17,7%, com um prêmio de 9,7 pontos percentuais em relação ao rendimento das NTN-Bs”, concluem André Ferreira e J. Ricardo Rosalen.
Para os analistas, os fatores que pressionaram o lucro no trimestre são predominantemente não recorrentes, e a tese de investimento permanece sustentada pela qualidade operacional das concessões e pelo potencial de geração de caixa ao longo do ciclo.






