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Vale: saiba tudo sobre o resultado acima do esperado no 2º trimestre

Vale: saiba tudo sobre o resultado acima do esperado no 2º trimestre

Ebitda proforma ficou entre US$ 3,83 bilhões e US$ 4,1 bilhões, dependendo da metodologia, com destaque para cobre e níquel superando estimativas dos três bancos

A Vale (VALE3) divulgou nesta quinta-feira (30) os resultados do segundo trimestre de 2026, superando as estimativas de mercado em praticamente todas as linhas relevantes. O Ebitda ajustado proforma ficou entre US$ 3,83 bilhões, nas estimativas da Genial, e US$ 4,1 bilhões, apurado pela XP — ambos acima do consenso.

O BTG Pactual registrou um beat de 6% em relação às suas estimativas. A companhia também anunciou dividendos de R$ 2,03 por ação e um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, equivalente a 2,3% do total em circulação.

“A execução operacional permaneceu resiliente no segundo trimestre de 2026, com a Vale entregando um beat de 6% no Ebitda frente às nossas estimativas, apesar de um trimestre desafiador em custos”, afirmam Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, analistas do BTG Pactual.

Metais básicos lideram o desempenho

O segmento de Metais para Transição Energética — que reúne cobre e níquel — foi o principal motor da superação de estimativas. O Ebitda da divisão atingiu US$ 1,3 bilhão, 13% acima das projeções do BTG.

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O cobre se destacou com preços realizados 6% acima das estimativas e volumes recordes de 98,4 quilotoneladas, impulsionados parcialmente pela antecipação de produção em Sossego antes do rebuild de 110 dias do moinho SAG, previsto para agosto.

O níquel também veio em linha, com Ebitda de US$ 294 milhões, alta de 46% anual, sustentado por maiores volumes e eficiências de custo.

No minério de ferro, o Ebitda ajustado somou US$ 3,06 bilhões, com cash cost C1 de US$ 24,1 por tonelada — 4% abaixo das estimativas da XP —, refletindo execução operacional mais eficiente. A produção de minério atingiu 84,3 milhões de toneladas, maior marca para um segundo trimestre desde 2018, com S11D entregando recorde de 23,4 milhões de toneladas.

“Em doze linhas aferidas, o erro absoluto mediano de nossas estimativas ante o reportado foi de apenas 0,6% — aderência incomum para um resultado dessa magnitude”, destaca Luca Vello, analista da Genial Investimentos.

Guidance revisado, mas impacto limitado

A Vale também atualizou seu guidance de custos para 2026. O cash cost C1 foi elevado para a faixa de US$ 22,5 a US$ 23,5 por tonelada, ante US$ 20 a US$ 21,5 anteriormente, refletindo a apreciação do real e os preços mais altos do Brent. Os custos all-in de minério de ferro subiram para US$ 58 a US$ 62 por tonelada.

“Vemos a revisão do guidance como amplamente antecipada pelo mercado, que já utilizava premissa acima de US$ 23 por tonelada como base para o C1”, afirmam Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, analistas da XP Investimentos.

O impacto negativo dos custos mais altos de minério foi amplamente compensado pela melhora no guidance de metais básicos: o custo all-in do cobre caiu US$ 1.000 por tonelada no ponto médio, e o do níquel recuou US$ 2.000 por tonelada.

A Vale também elevou o piso do guidance de produção de cobre para 360 a 380 quilotoneladas e de níquel para 185 a 200 quilotoneladas.

Dividendos e retorno ao acionista

A geração de fluxo de caixa livre atingiu US$ 1,5 bilhão no trimestre, equivalente a yield anualizado de 9% — resultado sólido para um período sazonalmente mais fraco. A dívida líquida expandida recuou para US$ 16,7 bilhões, queda de 6% sequencial.

Com dividendos de R$ 2,03 por ação pagos a partir de 2 de setembro e o novo programa de recompra, o BTG mantém a expectativa de retorno total ao acionista de 8% a 9% em 2026. Os três bancos mantêm recomendação neutra para Vale, mas com viés construtivo e preços-alvo entre R$ 86 e R$ 95 por ação.