A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 (4TRI25) dos neobancos deve ser construtiva, com destaque para os números do Nubank (NU; ROXO34).
Essa é a avaliação dos analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, da equipe de research do Banco Safra, em relatório divulgado nesta segunda-feira (9).
Além do Nubank, o documento enviado aos clientes do Safra também analisa o Inter (INBR32). Para os analistas, a fintech mineira, apesar do crescimento sólido e da melhora operacional, ainda enfrenta pressões de risco e de custos que limitam uma reprecificação mais agressiva no curto prazo.
Já o Nubank, embora algumas dessas características sejam comuns ao setor, consegue combinar quatro fatores que sustentam uma visão construtiva para o papel:
- crescimento acelerado do crédito,
- melhora estrutural no custo de risco,
- ganhos de eficiência e
- uso cada vez mais sofisticado de inteligência artificial no motor de crédito.
Por que o Nubank é o favorito do Safra
O Safra aponta que o Nubank deve manter uma expansão robusta da carteira de crédito, sustentada por qualidade de ativos controlada. Os analistas destacam ainda que a política de aumento de limite de crédito (CLIP) vem ganhando tração com a integração das capacidades de inteligência artificial da Hyperplane ao motor de crédito do banco.
“Neste trimestre, o custo de risco deve ser a variável mais relevante para o Nubank, considerando que, no 3TRI25, ele veio em nível significativamente mais baixo e que a administração reiterou que as melhorias estruturais observadas devem se manter”, afirma o Safra.
Os analistas projetam que o Nubank encerre o quarto trimestre com lucro líquido de US$ 876 milhões, avanço de 12% na comparação trimestral e de 59% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho deve ser sustentado, principalmente, pelo forte crescimento da carteira de crédito e por ganhos de eficiência no custo de funding, o que tende a favorecer a margem financeira no período.
Do lado da qualidade dos ativos, a expectativa é de uma leve alta da inadimplência acima de 90 dias, com avanço de 7 pontos-base, para 6,9%, enquanto o custo de risco líquido deve ficar em 13,4%, pouco acima do registrado no terceiro trimestre.
Inter enfrenta um cenário mais desafiador
No caso do Inter, os analistas apontam que o banco pode observar uma alta marginal da inadimplência (NPL) e do custo de risco, à medida que segue ampliando a exposição ao consignado privado e aos cartões de crédito. Ainda assim, o Safra ressalta que não há expectativa de deterioração relevante da qualidade dos ativos.
“Em um ponto mais negativo, uma base de despesas operacionais elevada e mais rígida pode limitar parcialmente o avanço da rentabilidade”, acrescentam os analistas.
Para o quarto trimestre, o Safra projeta que o Inter reporte lucro líquido de R$ 375 milhões, alta de 12% na comparação trimestral, com retorno sobre o patrimônio (ROE) de 15,5%. Ainda assim, o resultado deve ficar abaixo do consenso anual, estimado em R$ 1,4 bilhão.
A carteira de crédito, excluindo antecipações de recebíveis, deve crescer 33% na comparação anual, enquanto o portfólio principal — que inclui cartões de crédito, financiamento imobiliário e crédito pessoal — deve avançar 37%.
Do lado das margens, a expectativa é de leve avanço da margem financeira, beneficiada por menor custo de funding. Em contrapartida, o custo de risco deve subir, refletindo maior inadimplência inicial e o crescimento das originações em consignado privado. As despesas totais devem crescer em ritmo inferior ao da receita, o que deve resultar em melhora do índice de eficiência.
Para 2026, a expectativa é de desaceleração do crescimento da carteira de crédito, para algo próximo de 25% ao ano, além de uma postura mais conservadora em relação ao risco.
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Nubank segue como a principal aposta entre os neobancos
Na avaliação do Safra, o Nubank permanece como a principal aposta entre os neobancos. A recomendação para o papel é de desempenho acima da média (outperform), com preço-alvo de US$ 22 para os próximos 12 meses. Pelas estimativas, a ação negocia a 30,1 vezes o lucro projetado para 2025, múltiplo que cai para 20,4 vezes em 2026, refletindo a expectativa de forte crescimento dos resultados.
Já o Inter mantém recomendação neutra, com preço-alvo de US$ 10. Os múltiplos são mais baixos: 15,4 vezes o lucro estimado para 2025 e 10,7 vezes para 2026, em linha com a visão de crescimento mais moderado e maior cautela em relação ao risco.





