Embora o quarto trimestre da Vivara (VIVA3) tenha sido abaixo do esperado, a perspectiva é de recuperação da rentabilidade ao longo do ano, apoiada por possíveis reajustes de preços, segundo avaliação do banco BTG Pactual (BPAC11). Porém, o Bradesco BBI vai em outra direção e informou que o conjunto de resultados não trouxe sinais suficientes para uma melhora no sentimento em relação à tese de investimento da companhia.
Para o BTG, com preços elevados de ouro e prata, o crescimento dos resultados para o ano deve depender mais da elasticidade de volume e da execução do mix de produtos.
“Mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador, a Vivara segue bem posicionada para gerar retornos atrativos ajustados ao risco, sendo negociada a cerca de 8,5 vezes lucro, com recomendação de compra mantida”, avaliou o BTG, após a rede de lojas de produtos de luxo ter divulgado o balanço do quarto trimestre de 2025.
Já o Bradesco BBI, aponta que a visibilidade sobre catalisadores de curto prazo ainda é limitada. Incertezas em torno da evolução de indicadores-chave — como níveis de estoque, geração de caixa e margem bruta — sustentam a recomendação neutra para o papel.
A Vivara reportou lucro líquido ajustado de R$ 265 milhões, alta de 28%, mas 13% abaixo das projeções. O fluxo de caixa operacional após capex foi positivo em R$ 362 milhões, revertendo resultado negativo do ano anterior.
Margem pressionada
O relatório informou ainda que a companhia alterou sua metodologia de reconhecimento de custos no quarto trimestre de 2024, passando do regime de caixa para o regime de competência. Excluindo esse efeito, o lucro bruto somou R$ 724 milhões, alta de 14%, mas 2% abaixo do esperado pelo BTG, com margem de 68% — queda de 1,4 ponto percentual na base anual.
“Entre os principais fatores estão a redução de subsídios, estratégia comercial mais agressiva e maior nível de promoções, especialmente na Black Friday da Life, com foco em estoques de menor giro. Itens promocionais representaram 75% das vendas de novembro. Por outro lado, ganhos de produtividade industrial contribuíram positivamente”, informou trecho do relatório do BTG.
As vendas brutas (líquidas de devoluções) somaram R$ 1,4 bilhão, alta de 17% na base anual e 2% acima do esperado. Já a receita líquida cresceu 16%, em linha com as projeções. As deduções da receita bruta avançaram 21,1% no ano, representando 22,1% da receita (líquida de devoluções), aumento de 0,7 ponto percentual.
Operacional
No campo operacional, a produtividade medida por vendas por metro quadrado cresceu 5,5% no trimestre. O canal Vivara avançou 11,7%, enquanto o canal Life recuou 2%, impactado por efeito de mix, já que lojas mais novas — ainda em fase de maturação — passaram a representar maior parcela da base. Segundo a companhia, todos os grupos de lojas Life apresentaram crescimento nessa métrica.
As lojas da marca Vivara registraram crescimento de 15% nas vendas, com vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) subindo 12%, embora em desaceleração frente ao trimestre anterior.
Segundo o BTG, esse desempenho foi impulsionado por melhor alocação de estoques, menor ruptura e maior participação de coleções como Duo e diamantes de laboratório. Já a marca Life cresceu 20%, apoiada pela abertura líquida de 39 lojas nos últimos 12 meses e avanço de 9% no SSS.
Já o BBI indica que, embora as vendas tenham apresentado crescimento relevante, esse avanço foi sustentado por uma estratégia comercial mais agressiva, o que levanta dúvidas sobre a qualidade dessa expansão. Além disso, a geração de caixa no período mostrou-se dependente da dinâmica de estoques, contribuindo para uma leitura mais neutra do balanço trimestral.
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