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PetroReconcavo tem 4TRI25 pressionado por queda no Brent e reservas mais fracas

PetroReconcavo tem 4TRI25 pressionado por queda no Brent e reservas mais fracas

Relatório do BTG Pactual aponta queda de produção, pressão no caixa e revisão negativa das reservas da PetroReconcavo no 4TRI25

A PetroReconcavo (RECV3) reportou resultados do 4TRI25 em linha com as expectativas, mas sem surpresas positivas, segundo análise do BTG Pactual. De acordo com Rodrigo Almeida, o trimestre foi marcado por queda nos preços do petróleo, menor produção e revisão negativa das reservas, fatores que pressionaram o desempenho operacional e o fluxo de caixa da companhia.

Na leitura do BTG Pactual, o desempenho reflete um ambiente mais desafiador para a companhia, com impacto direto na geração de caixa e na percepção de valor. Apesar de ganhos pontuais de eficiência, o resultado consolidado do trimestre indica um cenário mais pressionado e reforça cautela para o curto prazo.

Produção menor e preços pressionam desempenho operacional

O EBITDA da PetroReconcavo somou R$ 295 milhões no 4TRI25, número considerado em linha com as estimativas do mercado, mas representando queda relevante na comparação trimestral. A retração foi explicada principalmente pela combinação de preços mais baixos do petróleo e menor volume produzido.

A produção caiu cerca de 5% no período, acompanhando desafios operacionais e menor ritmo de intervenções em poços. O próprio relatório da companhia confirma esse movimento, com produção média de 25 mil barris de óleo equivalente por dia no trimestre, abaixo do trimestre anterior.

Apesar disso, houve um ponto positivo: a monetização do gás natural ajudou a compensar parcialmente o impacto negativo do petróleo. O BTG destaca que o segmento de gás segue como uma alavanca relevante de valor, especialmente em cenários de preços mais altos.

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Eficiência operacional ajuda, mas não evita pressão no caixa

Mesmo diante de um cenário mais fraco, a PetroReconcavo apresentou avanços operacionais importantes no 4TRI25. O lifting cost caiu para US$ 14,32 por barril, impulsionado por menor número de intervenções e ganhos de eficiência.

Outro destaque veio do segmento de midstream, que registrou redução de custos relevante após a aquisição de participação na UPGN Guamaré. Essa integração trouxe ganhos de escala e menor dependência de terceiros, contribuindo para margens mais eficientes.

Ainda assim, esses fatores não foram suficientes para evitar a compressão do fluxo de caixa. O fluxo de caixa livre ficou em apenas R$ 13 milhões no trimestre, refletindo capex ainda elevado e pressão operacional. Para o BTG, esse é um dos principais pontos de atenção no curto prazo.

Reservas decepcionam e elevam cautela do mercado

Um dos pontos mais sensíveis do relatório foi a atualização das reservas da companhia. A certificação mostrou queda de cerca de 10% no valor presente das reservas (PV10) e leve redução no volume de reservas provadas.

As reservas 1P recuaram para cerca de 139 milhões de barris equivalentes, abaixo dos níveis anteriores. Na visão do BTG, esse resultado foi considerado “fraco” e pode gerar reação negativa do mercado, já que impacta diretamente a percepção de valor de longo prazo da empresa.

Além disso, a projeção de produção para os próximos anos foi revisada para baixo, refletindo um perfil mais conservador e menor ritmo de crescimento no curto prazo.

Hedge e gás natural surgem como possíveis alívios

Por outro lado, o relatório aponta fatores que podem mitigar parte dos riscos. Aproximadamente 65% da produção de petróleo da PetroReconcavo está protegida por hedge em 2026, o que ajuda a reduzir a volatilidade de preços.

Além disso, contratos de gás natural atrelados ao Brent podem gerar ganhos adicionais em cenários de alta do petróleo. Segundo o BTG, até cerca de 42% da produção da companhia pode se beneficiar de preços mais elevados, o que representa um potencial upside relevante.

A expectativa agora recai sobre a atualização da estratégia da empresa, incluindo o plano de investimentos para 2026 e possíveis ajustes na política de hedge.

Perspectiva: curto prazo desafiador, mas com pontos de apoio

Na avaliação do BTG Pactual, a PetroReconcavo entra em 2026 com desafios claros: produção mais fraca, custos pressionados e reservas revisadas para baixo. Esses fatores tendem a limitar o desempenho das ações no curto prazo.

Por outro lado, a eficiência operacional, a estratégia de integração no midstream e o potencial do gás natural continuam sendo pilares importantes da tese de investimento. O equilíbrio entre esses fatores será determinante para a trajetória da companhia nos próximos trimestres.

O 4TRI25 reforça uma visão mais cautelosa, mas não elimina completamente as oportunidades, especialmente em um cenário de recuperação dos preços do petróleo.

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