A Prio (PRIO3) foi a grande destaque do setor de óleo e gás da América Latina no primeiro trimestre de 2026, liderando o crescimento de Ebitda entre as 14 empresas acompanhadas pelo BTG Pactual na região, com expansão de 91,2% em dólares na comparação anual.
O levantamento, elaborado pelos analistas Daniel Guardiola, Rodrigo Almeida, Alvaro Leyva e Gustavo Cunha, mostra que o Ebitda médio do setor avançou 14,6% no período, com a maioria das companhias entregando resultados em linha ou acima das projeções.
“Sete das nove empresas sob nossa cobertura superaram nossas estimativas de Ebitda, enquanto apenas duas ficaram abaixo das expectativas”, destacam os analistas.
A Prio registrou Ebitda ajustado de aproximadamente US$ 852 milhões no 1T26, sustentado por preços mais altos do Brent, crescimento robusto de produção — que atingiu 155 mil barris por dia — e queda nos custos de extração, que recuaram para US$ 9,5 por barril.
“O momentum operacional da Prio segue muito forte, e a gestão espera que a geração de caixa acelere a partir do segundo trimestre, à medida que o capex se modera e os recebíveis se normalizam”, avaliam os analistas Daniel Guardiola e Rodrigo Almeida.
A geração de caixa livre ficou próxima de zero no trimestre, pressionada pelo capex elevado do campo de Wahoo e pelo consumo de capital de giro, mas o banco projeta dividendos que podem chegar a um yield de 10% ainda em 2026.
(Imagem: Divulgação/ Petrobras)
Petrobras: preços do petróleo ainda não capturados
A Petrobras entregou resultado abaixo do esperado, com Ebitda recorrente de US$ 11,7 bilhões impactado por atrasos na captura dos preços mais altos do petróleo nos volumes de exportação.
O segmento de exploração e produção ficou 16% abaixo das estimativas do BTG, enquanto o refino surpreendeu positivamente. A dívida líquida avançou para US$ 62,1 bilhões, com alavancagem estável em 1,43 vezes.
“O segundo trimestre deve melhorar de forma significativa, à medida que a Petrobras captura integralmente os preços mais altos do petróleo e se beneficia de maiores volumes e melhor precificação de derivados”, projetam os analistas Gustavo Cunha e Alvaro Leyva.
Brava e PetroRecôncavo: desalavancagem em curso, olho no caixa
A Brava (BRAV3) surpreendeu positivamente, com Ebitda ajustado de US$ 310 milhões impulsionado por preços realizados melhores e custos de extração menores, de US$ 14,2 por barril.
A alavancagem recuou para 1,8 vezes dívida líquida/Ebitda, e cerca de 60% da produção segue protegida por hedges a aproximadamente US$ 67 por barril, o que oferece estabilidade ao balanço durante as campanhas intensivas de capex nos campos de Atlanta e Papa-Terra.
“Embora os investimentos de curto prazo devam limitar a expansão do fluxo de caixa livre, a maior exposição spot ao petróleo ainda oferece upside para os resultados e para a desalavancagem”, observam os analistas Daniel Guardiola e Gustavo Cunha.
(Imagem: Divulgação/ PetroReconcavo)
Já a PetroRecôncavo (RECV3) entregou um trimestre modesto, mas gerador de caixa. O Ebitda de R$ 330 milhões ficou em linha com as estimativas, apesar da queda na produção, parcialmente compensada por ganhos de eficiência na UPGN Guamaré.
A companhia anunciou dividendo intermediário de R$ 100 milhões e reduziu ligeiramente a alavancagem para 1,04 vezes. O principal entrave segue sendo a política de hedges, que limita o ganho com a alta do petróleo e restringe os catalisadores de curto prazo para as ações.