As ações da Usiminas (USIM5) já subiram 52% no ano e finalmente voltaram ao radar dos investidores — e do BTG Pactual.
O banco elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 7 para R$ 10, mas manteve a recomendação neutra, numa combinação que resume bem o dilema da tese: os fundamentos melhoraram, mas o ponto de entrada já não é tão convidativo quanto alguns meses atrás.
Em relatório divulgado nesta semana, o BTG compara a Usiminas com sua controladora, a Ternium, e conclui que, apesar dos avanços da siderúrgica brasileira, a assimetria mais atraente está na empresa-mãe.
Sinais de melhora
O BTG reconhece que o primeiro trimestre de 2026 marcou o início de sinais mais concretos de recuperação para a Usiminas.
A implementação das medidas antidumping e a perspectiva de preços domésticos do aço subindo entre 5% e 7% no segundo trimestre ajudam a compor um cenário mais construtivo. Para o período, a gestão da empresa projeta volumes estáveis de aço, embora com custos mais altos de matérias-primas, energia e frete.
O banco, no entanto, pede cautela antes de mudar o tom de forma mais definitiva.
“Preferimos aguardar sinais adicionais de virada na rentabilidade e entender melhor a dinâmica de custos e despesas à frente”, pondera o relatório.
Uma limitação importante está na estrutura dos contratos de preço da Usiminas: boa parte deles é mais fixada, como os acordos com montadoras do setor automotivo, o que reduz a sensibilidade da empresa a altas de curto prazo nos preços do aço — limitando o upside imediato em relação a concorrentes com maior exposição ao mercado spot.
O peso do ciclo de investimentos que está por vir
O ponto mais delicado da tese, segundo o BTG, está no horizonte de alocação de capital.
Enquanto a Ternium está concluindo um ciclo de investimentos equivalente a cerca de 50% do seu valor de mercado e se prepara para entrar numa fase de colheita de resultados, a Usiminas caminha na direção oposta: enfrenta um programa de capex que pode superar US$ 1 bilhão — incluindo a substituição da bateria de coque e a expansão da Musa, sua operação de minério de ferro — ainda pendente de aprovação do conselho e não refletido nas estimativas do mercado.
O impacto sobre o fluxo de caixa é significativo. O BTG não espera pagamento de dividendos pela Usiminas nesse período e vê probabilidade razoável de que a expansão da Musa seja aprovada até o fim de 2027, prolongando o período de pressão sobre o caixa. O FCF yield projetado para 2027 é de cerca de 8% para a Usiminas — menos da metade dos 14% estimados para a Ternium no mesmo período.
Valuation melhorou, mas Ternium ainda é mais barata
Em termos de múltiplos, a Usiminas negocia a cerca de 3,5 vezes o EBITDA estimado para 2027 — um nível relativamente barato em termos absolutos, mas ainda com prêmio relevante em relação à controladora, que é negociada abaixo de 3 vezes.
Para o BTG, essa diferença faz pouco sentido dado que a Ternium tem ciclo de capex mais favorável, geração de caixa superior e perspectiva mais concreta de retorno ao acionista. O banco elevou o preço-alvo da Ternium de US$ 53 para US$ 55 por ação e a mantém como top pick no setor siderúrgico, com recomendação de compra.
Para a Usiminas, a mensagem é de paciência. O pior ficou para trás, o momento operacional melhora e o preço-alvo revisado reconhece esses avanços — mas o banco prefere ver mais evidências de uma recuperação consistente antes de elevar a recomendação.
Com as ações já tendo mais que compensado o período de fraqueza, o risco-retorno, na visão do BTG, é hoje mais equilibrado do que assimétrico.
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