As ações do Iguatemi (IGTI11) já acumulam alta de mais de 50% no ano, mas a Genial Investimentos acredita que ainda há espaço para valorização.
A corretora iniciou a cobertura da companhia com recomendação de compra, preço-alvo de R$ 36 por cota e a classificou como sua principal escolha no segmento de shoppings. O valor representa um potencial de valorização de aproximadamente 40%.
O relatório, assinado pelo analista João Caldas, sustenta que o portfólio premium da empresa ainda negocia com desconto relevante frente à qualidade dos ativos e ao seu poder de geração de valor aos lojistas.
“Iniciamos a cobertura do Iguatemi como nossa top pick no segmento de shoppings. Nossa tese se ancora na percepção de que a companhia negocia a um desconto relevante frente à qualidade de seus ativos e ao seu poder de geração de valor, ainda não plenamente refletidos no valuation”, afirma o analista João Caldas.
O cap rate implícito das cotas, calculado com base no NOI de 2025, está em torno de 13,3% — nível que o analista considera elevado demais para um portfólio dominante concentrado nas regiões Sul e Sudeste, com forte presença em São Paulo.
Operação sólida e ocupação recorde sustentam a tese
Os números operacionais do primeiro trimestre de 2026 reforçam o otimismo. As vendas nas mesmas lojas (SSS) cresceram 6% na comparação anual, e a taxa de ocupação atingiu 97,3% — recorde para um primeiro trimestre.
A alavancagem permanece controlada, com dívida líquida sobre EBITDA de 1,33 vezes.
“Projetamos crescimento consistente, com o NOI avançando cerca de 6,4% ao ano em média nos próximos cinco anos, sustentado por reajustes reais de aluguel e expansões em ativos dominantes”, projeta João Caldas.
O analista estima ainda crescimento real médio de 2,8% ao ano no aluguel por metro quadrado nos próximos três anos, reflexo do poder de precificação dos shoppings mais relevantes do portfólio.
Digital e multiuso como amplificadores do negócio físico
Além do core de locação, a Genial destaca dois vetores estratégicos que ganham relevância crescente na tese. O Iguatemi 365 e o braço de i-Retail — plataformas digitais e de varejo integrado — já representam cerca de 13,5% da receita consolidada e cresceram 59,2% no primeiro trimestre.
“O Iguatemi 365 e o i-Retail funcionam principalmente como porta de entrada para marcas internacionais no Brasil, além de fortalecer o relacionamento com marcas e a captura de dados”, aponta João Caldas.
Os projetos multiuso completam o quadro. O desenvolvimento no entorno do Iguatemi Campinas — o Casa Figueira — tem potencial para cerca de 100 torres e 50 mil moradores e usuários, qualificando o ativo com menor intensidade de capital. Expansões do Iguatemi São Paulo, do Iguatemi Brasília e o retrofit do Market Place reforçam o pipeline.
“Esses vetores contribuem para os resultados sem comprometer o balanço”, conclui o analista, sinalizando que a combinação de crescimento real, digitalização e desenvolvimento imobiliário representa uma assimetria que, na sua visão, o mercado ainda não precificou de forma adequada.






