As ações da Embraer (EMBJ3) caíram cerca de 25% desde a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, mas o BTG Pactual não mudou de lado, mostra um relatório enviado a clientes.
Em relatório assinado pelos analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, o banco reafirma a recomendação de compra e mantém o preço-alvo em US$ 97 por ação, argumentando que a fraqueza trimestral foi pontual e não compromete a tese de longo prazo da fabricante de aeronaves.
“Um trimestre fraco não faz uma história fraca“, resumem os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, numa frase que sintetiza o tom do relatório.
Para o BTG, o resultado do 1T26 representou uma “tempestade perfeita” de fatores negativos coincidentes — tarifas, custos logísticos elevados e mix desfavorável na aviação comercial e executiva —, mas sem caráter estrutural.
Resultados
A margem EBIT ajustada ficou em 5% no trimestre, abaixo das expectativas do mercado, que já vinham em patamar elevado após dois anos de resultados excepcionais.
“O primeiro trimestre é sazonalmente o mais fraco do ano, e a Embraer entregou uma margem de 7% — um resultado sólido para o período, que ainda assim não foi suficiente para atender às expectativas elevadas do mercado”, destacam os analistas.
Na aviação executiva, houve impactos adicionais de cerca de US$ 12 milhões em tarifas e despesas relacionadas à nova linha Praetor.

Recuperação
O BTG espera recuperação sequencial das margens nos próximos trimestres, apoiada em três fatores: ambiente tarifário mais favorável à medida que o estoque tributado vai sendo entregue, melhora no mix de clientes e normalização dos custos logísticos.
“Esperamos melhora sequencial de margens nos resultados da Embraer, com a sazonalidade do fim do ano, volumes maiores e consequente diluição de custos sustentando o momentum de curto prazo”, projetam Marquiori, Recchia e Alkmim.
Do lado dos pedidos, o banco vê o fluxo de notícias melhorando ao longo de 2026, com o Farnborough Airshow como principal catalisador no horizonte. O backlog atual de US$ 32 bilhões garante visibilidade de produção por aproximadamente quatro anos.
“Vemos as ações da Embraer oferecendo uma boa relação risco-retorno nos preços atuais, com o papel negociando a 10 vezes o EBITDA estimado para 2026 — um desconto de 44% em relação aos pares globais”, concluem os analistas do BTG.






