A Copel (CPLE6) fechou o segundo trimestre de 2026 com crescimento de 21% no Ebitda recorrente na comparação anual, em avaliação do BB Investimentos. O avanço veio de três frentes: o desempenho da Copel Geração e Transmissão, o resultado da estratégia de comercialização e a evolução da margem na distribuição.
Na distribuidora, dois fatores empurraram a margem para cima ao mesmo tempo. O mercado atendido cresceu e o reajuste tarifário entrou em vigor no período.
A exceção ficou com a geração renovável. Os complexos eólicos operaram em condições piores, sobretudo pelo aumento do curtailment — o corte de geração determinado pelo operador do sistema quando a rede não consegue escoar toda a energia produzida.
Revisão tarifária muda o tamanho da distribuidora
Em 23 de junho, a Copel informou o resultado da Revisão Tarifária Periódica da Copel Distribuição. A Base de Remuneração Regulatória (RAB) subiu para R$ 19,9 bilhões, contra R$ 8,4 bilhões em 2021, e o reajuste tarifário médio ficou em 20,51% para os consumidores.
O salto tem explicação direta no balanço. Os investimentos feitos nos últimos cinco anos mais que dobraram a base de ativos remuneráveis da distribuidora.
“A ampliação da RAB reforça a previsibilidade da geração de caixa futura da companhia. É a contrapartida regulatória de um ciclo de investimentos que já foi executado”, afirma Viviane Silva, analista do BB Investimentos.
Dívida líquida em R$ 19,7 bilhões
A dívida líquida da Copel somou R$ 19,7 bilhões ao fim de junho, com alavancagem de 2,9x dívida líquida/Ebitda. Em dezembro de 2025, o indicador estava em 2,7x.
O número, contudo, não fugiu do desenho da própria companhia. A estrutura ótima de capital da Copel fixa a alavancagem-alvo justamente em 2,9x, com faixa de tolerância entre 2,6x e 3,2x e prazo de até 48 meses para convergir caso o indicador escape do intervalo.
O custo médio da dívida equivale a 91,3% do CDI, com prazo médio de 5,2 anos.
“A companhia opera com alavancagem acima dos níveis históricos desde a privatização, o que é coerente com a estratégia de otimização de capital, expansão dos investimentos e distribuição de dividendos”, diz Melina Constantino, analista do BB Investimentos.
O que sustenta o crédito
O ciclo de investimentos em curso pode pressionar os indicadores financeiros no curto prazo. O banco, no entanto, não vê essa pressão como ameaça à qualidade de crédito.
“O risco de crédito segue suportado pela previsibilidade dos fluxos de caixa de distribuição e transmissão. Com os projetos em execução e a revisão tarifária de 2026, a trajetória do Ebitda tende a acompanhar o endividamento, desde que a gestão da estrutura de capital continue disciplinada”, avalia Fernando Cunha Filho, analista do BB Investimentos.






