A Priner (PRNR3) pode estar entrando em uma nova fase de expansão, impulsionada principalmente pelo segmento de serviços de mineração, que tende a assumir o protagonismo na geração de resultados nos próximos anos. A expectativa é de que esse negócio mais que dobre sua participação no EBITDA da companhia até o fim da década, reforçando uma tese de crescimento que, na avaliação de analistas, ainda não está totalmente refletida no preço das ações.
Em relatório, a XP Investimentos atualizou suas projeções para a companhia e iniciou o preço-alvo para o fim de 2027 em R$ 31 por ação, o que representa potencial de valorização de 72% em relação às cotações atuais. A corretora manteve recomendação de compra para os papéis.
A principal mudança na visão da XP decorre da incorporação da SEMEP, mais recente aquisição da Priner e considerada a operação mais transformacional da história da empresa. Segundo a análise, a subsidiária deve liderar o crescimento da companhia nos próximos anos por meio da expansão dos serviços de mineração, especialmente no transporte pesado de materiais (heavy hauling).
Participação em nova empresa pode elevar Ebitda consolidado
A corretora estima que a participação da SEMEP no Ebitda consolidado avance de cerca de 35% em 2026 para aproximadamente 55% em 2030, tornando a mineração o principal vetor de crescimento da empresa.
Outro ponto destacado é que a desaceleração observada nas receitas da Priner ao longo de 2025 não representa uma mudança estrutural do negócio. Na avaliação da XP, o movimento tem caráter cíclico e deve ser revertido com a retomada de crescimento das operações tradicionais.
Entre elas estão os segmentos de Montagem Industrial, que deve se beneficiar de oportunidades de venda cruzada dentro da nova plataforma de mineração, e Integridade & Inspeção, cuja recuperação deverá ser impulsionada pela diversificação dos mercados atendidos e pela ampliação da oferta de serviços submarinos.
A XP também enxerga uma oportunidade significativa no mercado de serviços de mineração. Segundo suas estimativas, o mercado endereçável da SEMEP gira em torno de R$ 17 bilhões, um dos maiores entre todos os segmentos de atuação da Priner.
Esse potencial de expansão é sustentado por três fatores principais: o aumento da relação entre estéril e minério extraído (strip ratio), que amplia a necessidade de movimentação de materiais; o crescimento da terceirização dessas atividades pelas mineradoras; e a possibilidade de ganho de participação de mercado em um setor ainda bastante fragmentado e sem um líder dominante.
Mesmo projetando uma expansão gradual da operação de heavy hauling, a XP considera que o impacto sobre os resultados será expressivo. O modelo da corretora prevê a incorporação de quatro novos lotes anuais de frota, com 18 equipamentos cada, entre 2026 e 2029, refletindo restrições relacionadas à capacidade financeira, disponibilidade de equipamentos importados e ritmo de conquista de novos contratos.
Ainda assim, a expectativa é de que a participação de mercado da SEMEP cresça de cerca de 4% para aproximadamente 11% ao longo desse período.
Para a XP, a combinação entre crescimento acelerado dos lucros e valuation descontado torna a tese especialmente atrativa. A corretora projeta crescimento médio anual de aproximadamente 30% no lucro por ação entre 2026 e 2030, enquanto estima que os papéis negociam a cerca de 7 vezes o lucro esperado para 2027, abaixo da média histórica da companhia.
Os analistas destacam ainda que, mesmo desconsiderando a expansão da operação de mineração, a Priner continuaria apresentando potencial relevante de valorização. Considerando apenas os negócios legados, a XP calcula um upside próximo de 54%, reforçando a avaliação de que a relação entre risco e retorno permanece favorável, apesar dos desafios naturais de execução associados ao crescimento da nova frente de mineração.
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