As principais empresas de saúde listadas na bolsa devem apresentar mais um trimestre de resultados sólidos, com destaque para a continuidade da melhora operacional de operadoras de planos de saúde, hospitais e empresas de medicina diagnóstica. A expectativa é que o segundo trimestre de 2026 seja marcado por avanços nos indicadores de sinistralidade, crescimento orgânico e expansão de margens, reforçando uma perspectiva positiva para o restante do ano.
De acordo com prévia divulgada pela XP, a Rede D’Or (RDOR3) e a BradSaúde (SAUD3) devem liderar o desempenho do setor. Para a Rede D’Or, a projeção é de lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre, alta de 13,5% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho continua sustentado pela operação hospitalar, cuja margem deve avançar 20 pontos-base na comparação anual, além da melhora dos resultados da SulAmérica, que deve registrar índice de sinistralidade médica (MLR) de 79,1%, uma redução de 280 pontos-base em relação ao ano anterior.
No segmento hospitalar da Rede D’Or, a receita deve crescer 13% na comparação anual, impulsionada principalmente pela evolução do tíquete médio, estimada em 9%. A margem EBITDA hospitalar é projetada em 25,5%, enquanto o EBITDA consolidado deve alcançar R$ 2,8 bilhões. Para a SulAmérica, a expectativa é de EBITDA de R$ 600 milhões, beneficiada pelos elevados níveis de provisão para sinistros registrados no trimestre anterior.
Medicina diagnóstica deve vir forte
A Bradesco Saúde também deve registrar um trimestre positivo. A estimativa é de lucro líquido de R$ 930 milhões, impulsionado pela melhora dos indicadores de sinistralidade e pela aceleração do crescimento da base de beneficiários, com adição líquida de aproximadamente 100 mil clientes em relação ao trimestre anterior. O índice de sinistralidade médica deve atingir 81,3%, mantendo o comportamento sazonal esperado. Segundo a XP, a maior parte do resultado continuará sendo gerada pela própria Bradesco Saúde, responsável por cerca de 92% do lucro consolidado.
Entre as empresas de medicina diagnóstica, o Fleury (FLRY3) deve apresentar um dos melhores desempenhos do período. A receita é projetada para crescer 12% na comparação anual, sendo aproximadamente 11,5% desse avanço em bases orgânicas. O crescimento deve ser puxado pelas marcas Fleury, A+ e pelas operações em Minas Gerais. A margem EBITDA deve subir para 26,3%, enquanto o lucro líquido estimado é de R$ 193 milhões, alta de 26% frente ao mesmo trimestre do ano passado.
Em contrapartida, a Blau deve divulgar resultados mais pressionados. A expectativa é de desaceleração do crescimento da receita para 5% na comparação anual, refletindo uma estratégia mais conservadora na concessão de crédito aos distribuidores. Apesar disso, fatores como a valorização do real frente ao dólar e um mix de produtos mais favorável devem contribuir para elevar a margem bruta para 41,5%. O EBITDA é estimado em R$ 119 milhões, com recuo de 2%, enquanto o lucro líquido deve crescer 7%, para R$ 68 milhões.
Após revisar suas estimativas, a XP elevou os preços-alvo das ações da Rede D’Or e do Fleury para R$ 18,00, ante R$ 17,00 anteriormente. A instituição avalia que a continuidade da melhora operacional das companhias reforça um cenário favorável para o setor ao longo do restante de 2026, especialmente para empresas com crescimento orgânico consistente e evolução dos indicadores de rentabilidade.
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