A M. Dias Branco (MDIA3) deve apresentar uma recuperação operacional no segundo trimestre de 2026 após um início de ano mais fraco do que o esperado, segundo estimativas da XP Investimentos.
Apesar da melhora sequencial, a companhia continua exposta a um ambiente de consumo desafiador e a dificuldades para repassar aumentos de custos aos preços de seus produtos, fatores que seguem limitando uma recuperação mais robusta da rentabilidade.
Receita e margens devem melhorar
Os analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva projetam receita líquida de R$ 2,5 bilhões entre abril e junho, o que representa queda de 9% na comparação anual, mas crescimento de 12% frente ao primeiro trimestre.
“Esperamos que a M. Dias Branco apresente uma recuperação sequencial após um T1 mais fraco do que o esperado, embora a Companhia ainda deva enfrentar os mesmos desafios observados no início do ano”, afirmaram Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, da XP Investimentos.
Segundo a corretora, a sazonalidade mais favorável do segundo trimestre, combinada com maiores volumes de vendas, um mix de produtos mais positivo e custos de matérias-primas mais baixos na comparação anual, deve contribuir para uma margem bruta de 33,7%.
“Esperamos que maiores volumes, um mix de vendas mais favorável e menores custos de matérias-primas resultem em uma margem bruta de 33,7%”, destacaram os analistas.
Fretes e investimentos seguem no radar
A melhora operacional, porém, deve ser parcialmente compensada pelo aumento das despesas comerciais. A XP estima que as despesas com vendas e administrativas representem 27,2% da receita líquida, acima dos níveis observados no início do ano.
“Os custos de frete continuam pressionando a rentabilidade, mantendo as despesas com vendas em níveis elevados, juntamente com um aumento no orçamento de marketing”, escreveram Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.
Outro ponto de atenção é o comportamento dos custos das matérias-primas. Embora a queda dos preços das commodities tenha favorecido os resultados no primeiro trimestre, a XP avalia que esse efeito perdeu força ao longo do segundo trimestre, com novas altas em produtos importantes para a companhia, como trigo e óleo de palma.
Ainda assim, a dinâmica mais favorável do câmbio no período ajudou a compensar parte dessa pressão.
Para os próximos meses, a corretora acredita que o cenário seguirá desafiador. Os aumentos recentes das commodities e a valorização do dólar voltaram a pressionar a estrutura de custos da companhia, o que torna a gestão de estoques um fator estratégico.
“Diante desse cenário, um aumento nos estoques seria bem-vindo, mesmo que implique um potencial consumo de caixa no curto prazo”, avaliaram Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.
Além das pressões operacionais, a M. Dias Branco deverá conviver com um ciclo mais intenso de investimentos ao longo de 2026. A companhia possui projetos de automação e modernização que devem consumir cerca de R$ 600 milhões em capex neste ano.
Mesmo assim, a XP projeta geração de caixa positiva de R$ 118 milhões no segundo trimestre, embora abaixo dos níveis registrados no ano passado em razão do maior volume de investimentos.






