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Porto Saúde é destaque em apresentação no Porto Day, mas seguro auto pressiona PSSA3

Porto Saúde é destaque em apresentação no Porto Day, mas seguro auto pressiona PSSA3

Rede de corretores salta para 7,9 mil e verticalização de cirurgias chega a 31% em São Paulo, mas competição no auto pressiona margens

A Porto Seguro (PSSA3) apresentou, no Porto Day realizado na última quarta-feira (22), as estratégias de suas quatro verticais de negócio em encontro que reuniu o time executivo completo, incluindo o CEO Paulo Kakinoff. O evento foi repercutido nesta quinta-feira (23) por BTG Pactual (BPAC11) e Bradesco BBI.

As duas casas tiveram uma visão construtiva sobre a trajetória estrutural do grupo, com destaque para a expansão do Porto Saúde, mas cautela em relação ao curto prazo diante de um ambiente competitivo mais acirrado.

Porto Day: Rede de corretores

A vertical de saúde completa quatro anos como unidade independente e foi o foco do relatório do BTG Pactual, assinado por Samuel Alves e Maria Resende. A apresentação, conduzida por Sami Fogel, reafirmou os pilares estratégicos definidos em 2022, que envolvem serviço de alta qualidade, distribuição comercial via corretores, tecnologia e integração vertical.

A expansão do canal comercial foi um dos destaques. Desde 2020, quando contava com cerca de 900 corretores ativos, a base cresceu para 3,5 mil em 2022 e 7,9 mil atualmente. A Porto Saúde atua em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, três estados onde a companhia estimou o mercado endereçável total em 27 mil corretores.

Os ganhos de produtividade também marcaram o evento. O número de itens por corretor avançou de 21 mil para 34 mil, alta de 58%, enquanto a receita média por corretor saltou 70%, de R$ 583 mil para R$ 991 mil.

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A transição do portfólio para as novas linhas acelerou. Porto Saúde, Porto Saúde Pro e Porto Bairros responderam por 88% das adições brutas no quarto trimestre de 2025, ante 14% no quarto trimestre de 2023. Atualmente, esses produtos já concentram cerca de 50% do portfólio total.

Outro ponto abordado foram as conversas com a Oncoclínicas (ONCO3). Segundo o BTG, a administração da Porto Seguro informou não estar confortável em avançar com uma transação, apesar de acompanhar os desafios operacionais enfrentados pela empresa de tratamento oncológico.

“A administração reconhece os desafios operacionais recentes na companhia, mas observa alguma melhora nas últimas semanas e não espera que novos estresses perturbem as operações, dada a avaliação em curso de prestadores alternativos”, escreveram os analistas do BTG Pactual.

Eficiência e rede própria

No campo operacional, a vertical avançou em automação. Cerca de 98% das autorizações são executadas automaticamente, e o tempo médio de aprovação caiu de aproximadamente 15 minutos para 90 segundos.

No engajamento, o uso mensal do aplicativo atingiu 47% da base de clientes, enquanto 36% já são multiproduto dentro do ecossistema Porto, o que reforça a capacidade de cross-sell entre as verticais.

A verticalização segue como pilar. O time médico próprio chegou a 2,5 mil profissionais, e a fatia de cirurgias realizadas com equipes internas na cidade de São Paulo passou de 20% em 2022 para 31% atualmente.

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Seguros, banco e serviços

Na vertical de seguros, o destaque foi o crescimento de vida, residencial e do seguro de motos. Este último avançou cerca de 20% na comparação anual, acompanhando o aumento nas vendas de motocicletas. O seguro auto segue pressionado por competição elevada, com margens apertadas.

No Porto Bank, o BBI identifica potencial de ampliação da penetração dentro da base de clientes do próprio grupo.

“Vemos espaço relevante para aumento de penetração dentro do ecossistema do grupo, dado que apenas uma parcela reduzida dos clientes das demais verticais utiliza o banco, e avaliamos positivamente iniciativas como soluções corporativas, Porto Invest e o futuro lançamento da adquirência no segundo semestre de 2026”, escreveram Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, analistas do Bradesco BBI.

A Porto Serviços foi apontada como vetor de crescimento, com avanço no número de parcerias e maior recorrência de receitas digitais. O mercado endereçável da vertical foi estimado em R$ 40 bilhões, e unidades como Centro Automotivo, Resolve e Renova Ecopeças têm apresentado desempenhos operacionais positivos.

O BBI manteve a recomendação neutra para PSSA3, com preço-alvo de R$ 57 ao fim de 2026. A classificação foi fixada em fevereiro, quando o banco rebaixou os papéis de compra após os resultados do quarto trimestre de 2025, avaliando que boa parte do reposicionamento estratégico e dos avanços em diversificação já estava refletida no preço.

“Vemos fundamentos estruturais e boas oportunidades de crescimento ao longo do tempo, mas entendemos que restrições competitivas e macroeconômicas ainda devem impor desafios no curto prazo, o que sustenta nossa recomendação apenas Neutra para PSSA3”, concluíram os analistas do Bradesco BBI.