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Por que o Bradesco ainda não “convenceu” o mercado?

Por que o Bradesco ainda não “convenceu” o mercado?

Lucro do Bradesco supera estimativas no primeiro trimestre de 2026, mas custo de crédito divide analistas

O Bradesco encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, avanço de 16% sobre o mesmo período do ano anterior e de 5% frente ao trimestre imediatamente anterior, superando em cerca de 3% as estimativas das principais casas de análise.

O ROAE (Retorno sobre Patrimônio Líquido Médio) atingiu 15,8%, aproximando-se do custo de capital do banco. Foi o nono trimestre consecutivo de expansão sequencial dos resultados — sequência que analistas associam ao mantra de recuperação “passo a passo” adotado pela gestão.

Para os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual, o banco foi “o único grande incumbente a registrar crescimento sequencial do lucro neste trimestre”, em uma leitura que, à primeira vista, classifica o resultado como sólido — ainda que ressalvas existam. O BTG Pactual tem preço-alvo de R$ 23 às ações, com recomendação neutra.

Na avaliação de Henrique Navarro, Anahy Rios e Lorenzo Giglioli, do Santander, “os resultados foram saudáveis, com qualidade de ativos controlada e crescimento da margem financeira, e o banco segue como uma de nossas preferências, com a ação negociando a 1,1 vez o preço sobre valor patrimonial estimado para este ano”.

Provisões aceleram e dividem leituras do mercado

O principal ponto de tensão do trimestre foi o avanço das provisões para perdas esperadas, que somaram R$ 9,7 bilhões – alta de 9,5% frente ao trimestre anterior e de 26,5% sobre o mesmo período do ano anterior. O custo de risco subiu para 3,5%, ante 3,2% no quarto trimestre de 2025, pressionado por um caso específico no segmento atacado e pela normalização do portfólio massificado.

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Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, do Safra, ressaltaram que “as provisões tomaram um pedágio nos resultados, com o custo de risco subindo 20 pontos-base no trimestre, fazendo com que a linha de perdas esperadas viesse 6% acima de nossa projeção, compensando a surpresa positiva no NII”. O Safra tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 26.

Para Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, da XP, “as tendências de qualidade de crédito merecem atenção, pois as provisões aceleraram com custo de risco em 3,5%, pressionadas por um caso idiossincrático no atacado e pela normalização no segmento massificado, ainda que os índices de inadimplência acima de 90 dias tenham permanecido amplamente sob controle”.

A XP tem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 24.

O analista Ilan Arbetman, da Ativa, adotou tom semelhante: “o custo de crédito foi o ponto mais fraco do trimestre – embora não interpretemos o movimento como deterioração estrutural imediata, o aumento da provisão mostra que a recuperação do Bradesco deve ser gradual”.

A Ativa tem recomendação de compar, com preço-alvo de R$ 24.

BradSaúde reforça capital e seguros sustenta resultado

A reorganização da operação de saúde foi o grande diferencial positivo do trimestre no campo patrimonial. A transação da BradSaúde adicionou 250 pontos-base ao índice de capital, elevando o CET1 (Common Equity Tier 1) pro forma para 12,7% e o Índice de Basileia para 17,4% – valores considerados confortáveis pelo mercado.

Rafael Reis, do BB Investimentos, destacou que “a reafirmação integral do guidance para este ano reforça nossa confiança em um ano que deve seguir marcado pela continuidade de ajustes operacionais, com seletividade, disciplina de risco e melhora de mix permitindo avanços graduais, porém consistentes, na rentabilidade”.

O BB Investimentos tem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 22.

O segmento de seguros também se destacou, com lucro líquido de R$ 2,8 bilhões e ROAE de 21,6%. Rosman, Buchpiguel e Pascale, do BTG, concluem que “se o Bradesco conseguir acelerar a geração de capital tangível — mesmo que isso implique algum custo de curto prazo nos resultados contábeis —, acreditamos que isso poderia desbloquear valor significativo para os acionistas”.

Para Vaz, Guedes e Nobre, do Safra, o banco “segue como preferência entre os incumbentes, especialmente pelo melhor momentum de receitas e pelo bom colchão proporcionado pela operação de seguros”.

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