As ações da Smart Fit (SMFT3) lideram as altas do Ibovespa nesta quinta-feira (7), depois de a rede de academias divulgar, na noite de quarta-feira (6), os resultados do primeiro trimestre de 2026. Por volta das 11h08, os papéis subiam 13,86%, cotados a R$ 20,66.
A disparada das ações ocorre após a empresa entregar números acima do consenso e mostrar fôlego justamente nas frentes que mais preocupavam analistas, a operação no Brasil e a integração do TotalPass.
A receita líquida cresceu 25% na comparação anual e ultrapassou a marca de R$ 2 bilhões em um trimestre pela primeira vez, somando R$ 2.102,1 milhões.
O EBITDA ajustado, que mede a geração operacional de caixa, avançou 29% e atingiu R$ 671,8 milhões, com margem de 32%, aumento de 1 ponto percentual ante o primeiro trimestre de 2025.
O lucro líquido recorrente saltou 47% e somou R$ 207 milhões, com margem líquida recorrente de 9,8%.
A geração de caixa operacional foi de R$ 635 milhões, com conversão de 95% sobre o EBITDA ajustado.
TotalPass deixa de ser sombra
O ponto que mais chamou atenção do sell-side foi o desempenho do segmento “Outras”, que abriga TotalPass Brasil, FitMaster, TotalPass México, Queima Diária e Studios. A linha dobrou de tamanho na comparação anual e atingiu R$ 192,9 milhões, equivalente a 9% da receita líquida total, contra 6% no mesmo período de 2025.
O lucro bruto caixa do segmento subiu 137% e a margem bruta avançou 13,3 pontos percentuais, para 85,7%, impulsionada pela performance do TotalPass Brasil.
A plataforma de bem-estar corporativo encerrou o trimestre com 2,1 milhões de clientes no Brasil e no México somados, frente a 1,7 milhão no quarto trimestre de 2025. Conforme dados da Sensor Tower, o TotalPass Brasil atingiu 34% de market share em monthly active users em março de 2026, contra 25% um ano antes, enquanto o TotalPass México manteve participação dominante de 81%, ante 79% no primeiro trimestre de 2025.
BTG mantém compra e vê SMFT3 entre os principais compounders da América Latina
O BTG Pactual (BPAC11) reiterou a recomendação de compra para SMFT3 e o preço-alvo de R$ 30, o que implicaria valorização adicional próxima de 65% sobre o pré-fechamento. Em relatório assinado por Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, o banco descreveu o trimestre como mais um conjunto sólido de resultados, ligeiramente acima de suas estimativas, com expansão de rentabilidade apesar dos investimentos no TotalPass e dos custos pré-operacionais ligados à abertura de novas unidades.
Para o BTG, o TotalPass funciona como um volante estratégico para a tese de investimento.
“Vemos o TotalPass como um flywheel estratégico. As métricas de ARPU de curto prazo podem parecer piores, mas o poder de geração de lucro no médio prazo tende a melhorar se a plataforma continuar escalando, se o gap de desconto seguir comprimindo, sem fechar, e se a utilização preencher capacidade incremental em vez de canibalizar a demanda premium B2C”, escreveram os analistas.
A casa projeta crescimento composto anual de lucro por ação de 32% entre 2025 e 2028 e enxerga a ação negociando a 11 vezes o lucro projetado para 2026, múltiplo considerado atrativo diante da escala regional, da economia unitária com retornos elevados e do espaço para consolidação em um mercado fragmentado.
XP e Bradesco BBI veem fim do ciclo de revisões negativas
A XP (XP) aponta que o resultado consolidado veio aproximadamente em linha com suas projeções, com surpresa positiva no lucro líquido, em razão de um melhor resultado financeiro e da consolidação contábil de FitMaster e TotalPass México. Para a corretora, o Brasil foi o destaque positivo do trimestre, justamente o ponto que vinha sendo monitorado com cautela pelo mercado.
“Após vários trimestres de revisões para baixo nas projeções de lucros, o primeiro trimestre de 2026 deve, pelo menos por enquanto, interromper o ciclo de revisões negativas, em cenário favorável para uma ação negociada a cerca de 10 vezes o lucro por ação projetado para 2027 e que oferece rendimento de fluxo de caixa livre pré-expansão de 17%”, escreveu a XP em relatório assinado nesta madrugada.
O Bradesco BBI, em análise distribuída antes da abertura do pregão, já antecipava reação positiva. Para o banco, os números reduzem preocupações de curto prazo nas três frentes que vinham pressionando o múltiplo, a operação brasileira, a integração do TotalPass e a dinâmica de margens consolidadas. O BBI avaliou que essas frentes vieram em boa forma e devem destravar revisões positivas de lucro nos próximos meses.
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