A Plano&Plano apresentou resultados operacionais abaixo do esperado no terceiro trimestre de 2026, pressionada pelo aumento dos distratos, pela desaceleração das vendas e por uma queima de caixa superior às projeções. Apesar do desempenho negativo, o BTG Pactual manteve recomendação de compra para as ações da construtora, sustentada pela avaliação considerada atrativa dos papéis.
As vendas líquidas da companhia somaram R$ 775 milhões no trimestre, queda de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior e resultado 19% inferior à estimativa do banco. As vendas brutas totalizaram R$ 1,03 bilhão, recuo anual de 7%, enquanto os distratos alcançaram R$ 260 milhões, alta de 186% na comparação anual.
Segundo a análise do BTG, o aumento dos cancelamentos foi influenciado pelas condições de crédito mais restritivas da Caixa Econômica Federal , fator que contribuiu para reduzir o ritmo de comercialização dos imóveis. A velocidade de vendas, medida pela relação entre vendas e oferta, ficou em 16% no período, estável em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Queima de caixa supera projeções do banco
Os lançamentos somaram R$ 1,07 bilhão, queda de 50% na comparação anual, mas ficaram próximos das projeções do BTG. O principal desvio negativo ocorreu no fluxo de caixa: a companhia registrou queima de R$ 153 milhões no trimestre, frente à expectativa do banco de R$ 25 milhões.
Parte do resultado foi explicada pelo atraso no recebimento de aproximadamente R$ 55 milhões em recebíveis previstos para o período, em razão de entraves envolvendo a Caixa Econômica Federal e o programa habitacional Pode Entrar.
BTG mantém recomendação de compra
Na avaliação do banco, o trimestre reforça os desafios enfrentados pelo segmento de habitação popular, especialmente diante das condições de financiamento mais restritivas e do aumento dos distratos. Embora reconheça que as perspectivas para o programa Minha Casa, Minha Vida se tornaram mais desafiadoras, o BTG considera que a reação negativa aos resultados recentes pode ter sido excessiva.
O banco manteve a recomendação de compra para as ações da Plano&Plano, destacando o valuation como principal argumento para a tese de investimento. Os papéis são negociados a cerca de quatro vezes o lucro projetado para 2027, segundo as estimativas da instituição.






