A Suzano (SUZB3) deverá ter, a partir do ano que vem, uma inflexão relevante no fluxo de caixa, sustentada por menores investimentos, normalização de desembolsos ligados à aquisição da Kimberly-Clark e avanço na desalavancagem. Com isso, a relação Dívida Líquida/Ebitda podendo cair para abaixo de 2,0x. É o que prevê relatório do Bradesco BBI sobre a empresa de papel e celulose.
“Mesmo em cenários mais conservadores de preço da celulose e câmbio, a geração de caixa permanece robusta. Diante disso, mantemos recomendação de compra para SUZB3, com preço-alvo de R$ 73,00 para o fim de 2026”, diz trecho do relatório.
Apesar dos desafios de curto prazo, a casa de análise avalia que a assimetria risco-retorno segue atrativa e parte relevante dessas preocupações já parece refletida nos múltiplos atuais, com a ação negociando a cerca de 5x EV/Ebitda, bem abaixo de sua média histórica.
Aos preços atuais de câmbio e celulose, a Suzano deve ter uma geração de caixa estimada de apenas 2% do seu valor de mercado em 2026, mas que salta para cerca de 23% em 2027, à medida que a operação se torna mais visível.
“Destacamos ainda que a estrutura de hedge cambial da companhia protege parcialmente o impacto de um real mais forte, com potencial de entradas de caixa via derivativos em torno de R$ 1,5 bilhão em 2026 e R$ 3,6 bilhões em 2027”, diz outro trecho do relatório.
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Ações em queda
Atualmente, as ações da Suzano acumulam queda próxima de mais de 20% desde o fim de fevereiro, desempenho inferior ao do Ibovespa (+3%) e também abaixo de pares locais (queda de 10%) e internacionais (recuo de 14%) no mesmo período.

De acordo com o relatório do BBI, isso se deve a três fatores: valorização do real, que pressiona resultados de exportadores; o aumento das preocupações com um possível excesso estrutural de oferta no mercado global de celulose, especialmente diante da expansão da capacidade integrada na China e de novos projetos previstos na América Latina a partir de 202.
Por fim, também surgem questionamentos de investidores sobre a estratégia de alocação de capital, diante da ausência de uma política formal de dividendos, execução limitada de recompras de ações e maior foco recente em aquisições, como Kimberly-Clark, Lenzing e Pine Bluf.






