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Santander Brasil (SANB11) tem 1T26 fraco e BTG vê desafios à frente para o lucro do banco

Santander Brasil (SANB11) tem 1T26 fraco e BTG vê desafios à frente para o lucro do banco

BTG Pactual mantém recomendação neutra após resultado abaixo do consenso, com inadimplência em alta, carteira fraca e troca no comando do banco espanhol

O Santander Brasil (SANB11) abriu a temporada de balanços dos bancos com um primeiro trimestre de 2026 que reforçou a visão cautelosa do BTG Pactual (BPAC11).

O banco manteve recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 35 em 12 meses, potencial de valorização de 19% sobre os R$ 29,42 da cotação atual. Apesar disso, os analista reforçaram que será difícil melhorar o lucro a partir deste patamar.

O lucro líquido somou R$ 3,8 bilhões no trimestre, com ROE (Return on Equity) de 15,6%, recuo de 7% sobre o quarto trimestre de 2025 e queda de 2% no comparativo anual. O resultado veio 6% abaixo do consenso de mercado, pressionado por uma alíquota de imposto mais “razoável” de 15%, contra apenas 2,6% no trimestre anterior, considerada anormalmente baixa pelos analistas.

“Embora o controle de custos siga como destaque positivo, acreditamos que as tendências gerais para os próximos trimestres serão desafiadoras, reforçando nossa visão mais cautelosa sobre a ação apesar da performance fraca no ano”, afirmaram Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, analistas do BTG Pactual responsáveis pela cobertura.

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Santander: Carteira e inadimplência preocupam

O crescimento da carteira de crédito segue como ponto fraco. Os empréstimos ficaram estagnados no comparativo trimestral e subiram apenas 3% no ano, desempenho considerado bem abaixo dos pares pelo BTG.

A carteira de pessoa física recuou 1% no trimestre e os créditos a empresas e PMEs ficaram estáveis. Apenas o financiamento ao consumo avançou, com alta de 2%. O resultado pressiona a margem financeira de clientes, que recuou 1% no trimestre.

A inadimplência aumentou em todas as faixas. O NPL acima de 90 dias subiu 20 pontos-base no trimestre, para 3,9%, com PMEs avançando 50 pontos-base, para 6%, e pessoas físicas em alta de 40 pontos-base, para 4,9%. A formação de inadimplência cresceu 8% no trimestre e 3% no ano, atingindo R$ 7,2 bilhões. As provisões para perdas, contudo, vieram abaixo dessa formação, com cobertura equivalente a 95% do total.

“O alongamento do prazo de baixa para alguns créditos com garantia, como imobiliário, financeiro e rural, e o encurtamento para os sem garantia podem ajudar a explicar por que as provisões vieram abaixo da formação de inadimplência”, escreveram os analistas.

Para o BTG, esse padrão tende a ser difícil de sustentar diante da deterioração das condições de qualidade de ativos, em especial no segmento de grandes empresas.

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Troca no comando

O quadro de transição na cúpula adiciona ruído ao cenário. Mario Leão deixará a presidência do Santander Brasil em breve, com Gilson Finkelsztain assumindo o cargo após sair da B3.

O diretor financeiro também foi trocado recentemente, o que reduz a visibilidade sobre a execução estratégica do banco nos próximos trimestres, na avaliação da casa.

A ação acumula desempenho cerca de 20% inferior aos pares privados no ano e negocia a 1,15 vez o valor patrimonial mais recente. Mesmo assim, o BTG mantém o tom de cautela.

A combinação de desempenho fraco no topo da linha com necessidade provável de provisões maiores adiante, sobretudo em grandes corporações, sustenta a leitura de que será difícil melhorar o lucro a partir do patamar do primeiro trimestre. Caso essa avaliação se confirme, tanto o BTG quanto o consenso terão de revisar estimativas para baixo no ano.

Entre os bancos brasileiros incumbentes, o Itaú (ITUB4) é a única recomendação de compra do BTG. A casa segue cautelosa com o Santander e, em especial, com o Banco do Brasil (BBAS3), enquanto adota postura mais construtiva na margem com o Bradesco (BBDC4).