A PetroReconcavo (RECV3) registrou lucro líquido de R$ 236,1 milhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), alta de 94% em relação aos R$ 121,9 milhões apurados um ano antes. Na comparação com o segundo trimestre, o crescimento foi de 16%, conforme balanço divulgado nesta quinta-feira (5).
O avanço foi influenciado principalmente pelo resultado financeiro, que contou com ganhos contábeis relacionados a instrumentos de proteção cambial. No mesmo período, a produção de petróleo e gás caiu 10% na comparação anual.
A receita líquida somou R$ 786,3 milhões, praticamente estável em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 3% abaixo do valor registrado entre abril e junho deste ano.
O Ebitda ajustado alcançou R$ 378,6 milhões, crescimento de 8% em um ano e recuo de 4% frente ao trimestre anterior. A margem Ebitda ajustada passou de 44,5% para 48,2% na comparação anual.
Derivativos influenciam resultado financeiro
O resultado financeiro da PetroReconcavo ficou positivo em R$ 78 milhões no terceiro trimestre, ante R$ 10,8 milhões nos três meses anteriores.
Parte dessa variação veio da marcação a mercado de operações de swap cambial, que gerou efeito positivo de R$ 159,2 milhões no balanço. Esse ajuste reflete mudanças nas condições de mercado utilizadas para calcular o valor dos contratos e não representa, por si só, entrada de dinheiro no caixa.
Sem os efeitos cambiais e de marcação a mercado considerados no cálculo divulgado pela empresa, incluindo os ajustes tributários correspondentes, o lucro líquido ajustado foi de R$ 145,3 milhões, alta de 93% em relação ao mesmo período de 2025.
Produção cai no Rio Grande do Norte e avança na Bahia
A produção média da petroleira foi de 23,7 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), redução de 10% na comparação anual e de 2% frente ao segundo trimestre.
No Ativo Potiguar, no Rio Grande do Norte, a produção ficou em 11,8 mil boe/dia, queda de aproximadamente 5% em relação aos três meses anteriores. Segundo a empresa, a redução esteve ligada ao declínio da produção de gás no Polo Sabiá, além de falhas em poços e interrupções no fornecimento de energia.
Na Bahia, o volume produzido chegou a 11,9 mil boe/dia, aumento de 1% na comparação trimestral. O campo de Tiê apresentou crescimento de 22,4%, após intervenções em poços e o início dos resultados de projetos de injeção de água.
O custo médio de extração ficou em US$ 16,52 por barril de óleo equivalente, queda de 2% frente ao segundo trimestre, mas alta de 6% em relação ao mesmo período do ano passado.
Fluxo de caixa livre cresce 81% no trimestre
A PetroReconcavo encerrou o período com fluxo de caixa livre de R$ 134,2 milhões, aumento de 81% em relação aos R$ 74 milhões registrados no segundo trimestre.
O caixa gerado pelas atividades operacionais chegou a R$ 306,3 milhões, alta de 16% na comparação trimestral. A variação refletiu principalmente a redução dos pagamentos de juros, parcialmente compensada pelo impacto dos instrumentos derivativos.
Os investimentos totalizaram R$ 147,1 milhões, queda de 24% frente ao trimestre anterior e de 74% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Ao fim de setembro, a petroleira tinha aproximadamente R$ 1,7 bilhão em caixa e dívida líquida de R$ 1,2 bilhão. A relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses ficou em 0,90 vez, ante 1,01 vez em junho.
PetroReconcavo firma contratos para petróleo e gás
Entre os acontecimentos do trimestre, a empresa assinou um novo contrato de venda de petróleo com a Brava Energia, válido de outubro de 2026 até dezembro de 2030.
O acordo prevê compromisso mínimo de comercialização de 50% da produção do Ativo Potiguar, além de mudanças na fórmula de preços, com condições que variam conforme os volumes entregues.
Na Bahia, a PetroReconcavo também fechou acordos com a Petrobras para garantir capacidade de processamento de gás natural na Unidade de Tratamento de Gás de Catu entre 2028 e 2037.
Com isso, a petroleira suspendeu a decisão de investimento na Unidade de Processamento de Gás Natural de Miranga. O projeto previa desembolso de aproximadamente US$ 60 milhões.
A decisão resultou no reconhecimento de uma baixa contábil de R$ 15 milhões no terceiro trimestre.
Lucro acumula queda de 4% em nove meses
Apesar do crescimento registrado entre julho e setembro, a PetroReconcavo acumula lucro líquido de R$ 562,6 milhões nos primeiros nove meses de 2026, queda de 4% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
A receita líquida acumulada chegou a R$ 2,28 bilhões, recuo de 7%, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 1,08 bilhão, redução de 5%.
A produção média entre janeiro e setembro foi de 24 mil boe/dia, 11% abaixo do volume registrado nos nove primeiros meses de 2025.
No mesmo intervalo, o fluxo de caixa livre alcançou R$ 288,3 milhões, ante resultado negativo de R$ 114 milhões um ano antes.
Os números mostram um terceiro trimestre marcado pelo aumento do lucro reportado e da geração de caixa, em paralelo à redução dos volumes produzidos. A empresa segue com projetos de recuperação de reservatórios e contratos de comercialização que se estendem pelos próximos anos.






