As ações da Petrobras (PETR4) passaram a ter recomendação rebaixada de compra para neutra, após o forte desempenho dos papéis no início do ano, embora tenha elevado o preço-alvo de R$ 40 para R$ 45 por ação, de acordo com relatório do Bradesco BBI. Segundo a casa de análise, a valorização recente reduziu o espaço para ganhos adicionais, considerando um cenário de longo prazo para o petróleo tipo Brent estimado em US$ 65 por barril.
De acordo com o relatório, o novo preço-alvo é fundamentado em um rendimento de dividendos considerado justo de 9% ao ano ao longo dos próximos cinco anos. Ainda assim, os analistas avaliam que a atual alta do petróleo tem sido impulsionada, em grande parte, pelo aumento do prêmio geopolítico, movimento que pode não se sustentar no médio prazo.
A instituição também segue enxergando fundamentos fracos para os preços globais do petróleo bruto, diante de um crescimento expressivo da oferta que supera a demanda, o que tende a pressionar o setor.
Petrobras (PETR4): ausência de gatilhos positivos
O Bradesco BBI também aponta a ausência de gatilhos positivos relevantes na chamada “micro história” da Petrobras. Embora haja possibilidade de surpresas positivas no campo da produção, a agenda de fusões e aquisições da companhia continua sendo vista como uma fonte adicional de risco. Nesse contexto, os analistas avaliam que os riscos para o setor de petróleo permanecem inclinados para baixo.
Entre os principais fatores que poderiam contrariar o rebaixamento, o banco destaca uma continuidade da alta nos preços do Brent, fluxos sustentados de capital para mercados emergentes e eventuais mudanças nas diretrizes do controlador. Ainda assim, o relatório ressalta que o ambiente político e as orientações estratégicas da Petrobras seguem incertos e devem permanecer assim por algum tempo, tornando a relação risco-retorno menos atrativa do que no passado recente.
Em termos de dividendos, o Bradesco BBI estima um rendimento de 6,5% para a Petrobras em 2026, abaixo da média das empresas do setor nos Estados Unidos, em torno de 7%, e também inferior aos 8% projetados pelo banco para a Vale. Na avaliação dos analistas, esse nível de retorno se tornou excessivamente apertado frente aos riscos envolvidos.
Do ponto de vista de valuation, a Petrobras é vista negociando a um múltiplo EV/EBITDA de 3,7 vezes em 2026, o que representa um desconto de 29% em relação à média global de seus pares, estimada em 5,2 vezes. Ao preço-alvo de R$ 45, esse múltiplo subiria para 4,0 vezes, ainda com um desconto de cerca de 20%, considerado justificado pelo custo de capital mais elevado e pelos riscos associados ao fato de a companhia ser uma empresa estatal.
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