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Petrobras anuncia alta de R$ 0,38 no diesel após mais de 400 dias sem reajuste

Petrobras anuncia alta de R$ 0,38 no diesel após mais de 400 dias sem reajuste

Preço médio do diesel A para distribuidoras passará de R$ 3,27 para R$ 3,65 por litro a partir de 14 de março

A Petrobras (PETR3; PETR4) anunciou nesta sexta-feira (13) o primeiro aumento no preço do diesel para distribuidoras em mais de 400 dias. A partir de amanhã, 14 de março, o preço do diesel A subirá R$ 0,38 por litro, elevando o preço médio praticado pela companhia de R$ 3,27 para R$ 3,65 por litro.

Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o ajuste equivale a R$ 0,32 por litro sobre o diesel B comercializado nos postos. Com isso, a participação da Petrobras no preço final ao consumidor passará a ser, em média, de R$ 3,10 por litro.

O último reajuste para cima havia ocorrido em 1º de fevereiro de 2025. A movimentação mais recente foi uma redução aplicada em 6 de maio de 2025 — há 311 dias. Apesar do aumento anunciado, a Petrobras ressalta que, desde dezembro de 2022, o diesel A acumula queda real de 29,6%, equivalente a R$ 0,84 por litro, considerada a inflação do período.

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Impacto mitigado pelo governo

O impacto do reajuste para o consumidor final é parcialmente compensado por medidas do governo federal. A zeragem das alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a comercialização de diesel reduz a carga tributária no produto, aliviando a pressão sobre os preços nos postos.

Adicionalmente, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a adesão ao programa de subvenção econômica à comercialização de óleo diesel, instituído pela Medida Provisória nº 1.340, de 12 de março de 2026. O programa prevê pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias.

A efetiva assinatura do termo de adesão ficará condicionada à publicação e análise dos instrumentos regulatórios pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Com isso, o efeito combinado do reajuste e do potencial benefício da subvenção equivale a R$ 0,70 por litro para a Petrobras — com os impactos para o consumidor mitigados pelas medidas anunciadas pelo governo na véspera.

“O aumento no preço do diesel foi equivalente a quase metade das reduções no preço (isenção no PIS e Cofins e subvenção) anunciadas ontem pelo governo federal. Basicamente, quase cancela o efeito baixista das medidas anunciadas ontem pelo governo federal. Impacto no IPCA das reduções de ontem e do aumento de hoje praticamente se cancelam”, explica Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez.

Efeitos do pacote do governo

O pacote de medidas anunciado pelo governo para aliviar o preço do diesel tem um lado visível – e um custo escondido. Para as empresas de exploração e produção de petróleo, a conta chegou na forma de uma taxa de 12% sobre as exportações de petróleo bruto. O Banco Safra quantificou os impactos para cada companhia do setor.

“O pacote de medidas consiste em três componentes: a eliminação do PIS/Cofins sobre vendas e importações de diesel de R$ 0,32 por litro, a introdução de um subsídio de mesmo valor para produtores e importadores, e uma taxa de 12% sobre exportações de petróleo bruto para financiar o alívio no preço do diesel”, explicam os analistas Conrado Vegner e Vinícius Andrade, do Banco Safra. As medidas valem até 31 de dezembro de 2026.

A Petrobras (PETR4) é a grande beneficiária. Assumindo Brent médio de US$ 70 por barril e aumento de R$ 0,75 por litro no preço do diesel, “a Petrobras se beneficiaria das medidas, pois o aumento no preço do diesel mais do que compensaria o impacto negativo da taxa de exportação, com ganho líquido estimado de US$ 3,4 bilhões no Ebitda, equivalente a 8% de nossa estimativa para 2026”, projetam os analistas.