Café
Home
Notícias
Negócios
Pão de Açúcar tenta acalmar fornecedores e mercado fica em alerta

Pão de Açúcar tenta acalmar fornecedores e mercado fica em alerta

Há um temor de que as indústrias fiquem mais conservadoras nos acordos e nas linhas para a empresa, o que poderia afetar o abastecimento da rede

As ações da CBD (PCAR3), dona do Pão de Açúcar, figuram há semanas entre as mais alugadas do mercado, com os investidores em alerta sobre a continuidade operacional da empresa.

De acordo com dados de ontem (3), as ações estavam com uma taxa de aluguel de 21,89%, a quarta maior do mercado. A taxa é paga por quem deseja “vender a descoberto”, apostando na desvalorização do ativo para recomprá-lo mais barato futuramente.

O volume emprestado já representa cerca de 14,75% de todas as ações em circulação no mercado (free float). A desconfiança do mercado tem crescido com um aprofundamento da crise vivida pela varejista.

Na segunda-feira, a Fitch Ratings rebaixou a nota de classificação de crédito nacional de longo prazo da CBD de A para CCC. O degrau significa um risco muito alto de inadimplência.

Além disso, em seu balanço do quarto trimestre de 2025, a própria empresa assumiu um “risco de continuidade operacional” nas notas explicativas.

Publicidade
Publicidade

Negociação com fornecedores

Segundo a Ágora Investimentos, diante das notícias recentes, o comando da companhia está tentando acalmar seus fornecedores, pois há um temor de que as indústrias fiquem mais conservadoras nos acordos e nas linhas para a empresa, o que poderia afetar o abastecimento da rede.

O analista Ricardo França ressalta que, para se antecipar a esse risco, a direção preferiu esclarecer sobre a sua situação financeira, em carta encaminhada aos fabricantes.

A CBD esclareceu  que  as  negociações  dos  passivos  em  andamento  são  referentes exclusivamente ao reperfilamento de parte da dívida financeira, conduzida junto às instituições financeiras  e  credores  bancários,  com  vencimento  para  2026 –e  que  isso  ocorre  de  forma estruturada e dentro da normalidade.

“De qualquer forma, esse tipo de informação, deve continuar pressionando  os  papéis  e,  eventualmente,  reduzir  as  projeções  de  receitas  e  margens  para  a companhia daqui para frente”, pontua França.

Família Coelho Diniz

Segundo a Fitch, a mudança no controle acionário — a família Coelho Diniz tornou-se a principal acionista, com 24,6% do capital — ainda não trouxe clareza estratégica.

“A Fitch possui visibilidade limitada sobre a estratégia da companhia a médio e longo prazos, bem como em relação ao apetite por risco”, pondera a agência.

As ações do Pão de Açúcar já caíram aproximadamente 35% em 2026.