As ações do GPA (Pão de Açúcar) (PCAR3) mergulham quase 9% nesta quarta-feira (25), após um resultado do quarto trimestre de 2025 considerado ruim pelos analistas. No ano, a queda dos papeis já chega a 28%, enquanto o Ibovespa tem alta de 19%.
“Apesar da melhoria na margem bruta, consideramos o resultado negativo, visto que a empresa reportou mais um trimestre de consumo de caixa e apresentou uma estrutura de capital desequilibrada, o que representa nossa principal preocupação e justifica nossa recomendação de desempenho abaixo da média”, avaliou o Banco Safra.
Os analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio tem um preço-alvo de R$ 4 para os ativos da rede de supermercados.
Para a XP Investimentos, a dinâmica de geração de caixa segue preocupante, com o fluxo de caixa livre de 2025 consumido por elevados resultados financeiros.
Risco de continuidade
“Além disso, investidores devem focar na inclusão do “risco de continuidade operacional” nas notas explicativas, dado que o GPA reportou capital de giro líquido negativo de aproximadamente R$1,2 bi, decorrente principalmente de R$1,7 bi em dívidas a pagar em 2026, enquanto continua gerando prejuízo líquido”, opinam Daniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer.
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Ou seja, a observação no balanço traz incerteza quanto a continuidade operacional da companhia. “Para lidar com a situação, a empresa trabalha na gestão de passivos e monetização de créditos tributários”, pontua a XP.
“A nota adiciona incerteza relevante”, dizem os analistas.
Na nota explicativa 1.6, o GPA assume que, no final do ano, apresentava déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,224 bilhão, decorrente principalmente de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 no montante de R$ 1,7 bilhão.
“Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período. Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, conclui a nota.
O prejuízo líquido foi de R$ 572 milhões no trimestre, contra R$ 1,1 bilhão um ano antes, uma melhora de 48,2%.
Demanda fraca
A receita líquida consolidada do GPA caiu 2% na comparação anual, impactada por fechamento de lojas e descontinuação do Aliados (focada em pequenos minimercados de bairro).
Já nas vendas em mesmas lojas (SSS – lojas abertas há no mínimo 12 meses, sem considerar a Aliadas), a receita cresceu +3%, desacelerando em relação ao terceiro trimestre.
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