O banco Safra manteve recomendação de compra para a Panvel (PNVL3), mesmo após reduzir o preço-alvo de R$ 22 para R$ 17 por ação, o que ainda indica um potencial de valorização de aproximadamente 53%.
A revisão incorpora os resultados do primeiro trimestre de 2026, ajustes nas premissas macroeconômicas e mudanças nas estimativas operacionais, mantendo a visão construtiva sobre a companhia.
A principal revisão positiva foi nas projeções de crescimento de vendas em mesmas lojas (SSS), após um desempenho acima do esperado no início do ano.
“Adotamos uma visão mais otimista para o crescimento de SSS em 2026 após o resultado mais forte no 1T26, com avanço acima das nossas estimativas”, afirmam os analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio.
O Safra elevou a projeção de crescimento de SSS para 8,9% em 2026, ante 8,2% anteriormente, refletindo o bom momento operacional. Além disso, o banco mantém uma visão positiva sobre o impacto das vendas de medicamentos GLP-1, que devem continuar impulsionando a receita da rede de farmácias.
“Seguimos construtivos com as vendas de GLP-1, que devem sustentar o crescimento, especialmente com a introdução de versões genéricas e melhorias na cadeia de suprimentos”, destacam os analistas. A expectativa é que esses produtos ganhem relevância crescente ao longo dos próximos trimestres.
Pressão de margens e custo da dívida
Apesar do desempenho mais forte de receitas, o Safra revisou para baixo as estimativas de margens e lucro líquido. A maior participação de produtos GLP-1, que possuem menor margem, deve pressionar a rentabilidade bruta da companhia nos próximos anos.
“Reduzimos nossas estimativas de margem EBITDA diante da pressão na margem bruta, que deve mais do que compensar a diluição de despesas”, afirmam Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio. Ainda assim, o banco projeta uma leve expansão de margem em 2026 na base anual.
Outro fator relevante é o aumento do custo da dívida, que impactou de forma mais significativa as projeções de lucro líquido. Com o custo de financiamento mais próximo de 100% do CDI, os números foram revisados para baixo, com quedas relevantes nas estimativas para os próximos anos.
Valuation segue atrativo
Mesmo com os ajustes, o Safra avalia que a ação permanece negociando a múltiplos atrativos. A estimativa é que a Panvel negocie a cerca de 8 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo do múltiplo implícito de 12 vezes considerado justo pelo banco.
“Acreditamos que a companhia merece uma reprecificação, sustentada por crescimento de receita e melhora na liquidez das ações”, dizem os analistas.
O valuation também incorpora uma taxa de crescimento de longo prazo de 5,5% e um custo médio ponderado de capital mais elevado, refletindo o cenário macro.
No horizonte de médio prazo, o banco projeta um crescimento anual médio de receita de cerca de 15% entre 2025 e 2028, reforçando a tese de expansão consistente da companhia, mesmo em um ambiente econômico mais desafiador.
Riscos e sensibilidade operacional
O Safra também destaca riscos relacionados a mudanças operacionais, como eventuais ajustes na jornada de trabalho. Nesse cenário, a companhia poderia enfrentar aumento de despesas com pessoal, exigindo repasses de preços para evitar impactos relevantes na rentabilidade.
“Caso a empresa não consiga repassar custos ou ajustar sua operação, o impacto no lucro pode ser significativo”, alertam Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio. Ainda assim, o banco considera esse cenário pouco provável, dado o histórico de execução da companhia.






