A Tupy (TUPY3) ganhou um voto de confiança da XP Investimentos. Ao atualizar a cobertura de autopeças nesta quinta-feira (9), a corretora elevou a recomendação da fabricante de blocos de motor de neutra para compra.
“A tese da Tupy vem se tornando mais construtiva, com o ambiente operacional mostrando sinais mais claros de melhora“, escreveram os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.
Os motores da mudança estão fora do país: a demanda por veículos pesados nos Estados Unidos ganha tração, enquanto novos contratos avançam em ramp-up no Brasil e no exterior.
A conta da XP aponta lucro 159% maior em 2027, papel negociado a 7,1 vezes o lucro daquele ano — contra múltiplo-alvo de 10 vezes — e avanços de governança que tiraram da mesa um antigo motivo de desconfiança.
A escolha dos vencedores, segundo o relatório, passa menos pelos balanços e mais pelo momento de cada mercado.
“A dinâmica macro tem ditado a performance relativa mais do que os próprios fundamentos”, apontou o trio da XP.
Daí a preferência por empresas com receita no exterior e dívida em queda, em vez das dependentes do ciclo doméstico ainda travado pelos juros.
Barato e pagando dividendos
Na lista de compras, a Iochpe-Maxion (MYPK3) aparece pelo preço: 4,1 vezes o lucro estimado para 2027 e retorno em dividendos perto de 9%.
A operação espalhada pelo mundo, contudo, corta dos dois lados — “amortecendo o downside em regiões mais fracas, mas limitando a exposição a recuperações mais fortes”, ponderaram os analistas.
A Marcopolo (POMO4) completa o pódio como a tese mais defensiva, negociada a 5,4 vezes o lucro de 2026, ante valor justo de cerca de 8 vezes, com dividendos gordos e caixa folgado.
A fabricante de ônibus vem “destacando-se como o nome com menor revisão de lucros em nossa cobertura”, observaram Laghi, Urbano e Nippes.
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Os que ficam de fora
Na outra ponta, a Randoncorp (RAPT4) segue com recomendação neutra.
“Ainda não vemos uma inflexão clara de lucros”, avaliou a equipe da XP, citando os juros altos por mais tempo, a recuperação incerta da Addiante e as despesas financeiras que não dão trégua.
O caso da Frasle Mobility (FRAS3) é o oposto: o negócio agrada, o preço não.
Os analistas reconhecem a força da companhia no mercado de reposição e o histórico de aquisições bem digeridas, mas, a 17 vezes o lucro de 2026 e 13 vezes o de 2027, “os múltiplos atuais não oferecem uma margem de segurança confortável”, alertaram.