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Como está a fintech do Mercado Livre?

Como está a fintech do Mercado Livre?

Os cartões de crédito representam 45,5% do portfólio total e os empréstimos ao consumidor respondem por 36,5%

A operação de crédito do Mercado Livre (MELI34) segue em forte expansão, mas sinais de pressão sobre a rentabilidade e aumento da inadimplência precoce chamam atenção dos analistas do BTG Pactual.

Em relatório assinado por Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, o banco monitora mensalmente os três principais FIDCs da companhia como termômetro da saúde do braço financeiro do gigante do e-commerce latino-americano.

Os dados de abril mostram portfólio de R$ 7,7 bilhões nos veículos analisados, alta de 0,4% na comparação mensal e de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Carteira dispara

A visão consolidada da operação de crédito do Mercado Crédito — que inclui fontes de financiamento além dos FIDCs — revela um crescimento expressivo: a carteira avançou 87% na comparação anual e 16% no trimestre, atingindo US$ 14,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

Os cartões de crédito representam 45,5% do portfólio total e os empréstimos ao consumidor respondem por 36,5%. No entanto, a métrica de rentabilidade sofreu pressão significativa.

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“O NIMAL — margem líquida de juros após perdas — comprimiu 550 pontos-base sequencialmente para 17,8%, e caiu 490 pontos-base em relação ao ano anterior, em parte devido ao aumento das provisões para devedores duvidosos, que cresceram 106,3% em base anual”, explicam Guanais, Cesquim e Cendon.

A emissão de cartões também foi robusta: 2,7 milhões de novos cartões foram emitidos no trimestre, com crescimento de 104% na carteira de crédito rotativo.

Inadimplência precoce sobe

Os dados dos FIDCs monitorados em abril trazem um sinal misto sobre a qualidade de crédito. A inadimplência de curto prazo — posições com atraso inferior a 90 dias — aumentou 229 pontos-base em relação a março, chegando a 9,7% da carteira. Já a inadimplência acima de 90 dias recuou 18 pontos-base para 11,6%.

“Os NPLs precoces expandiram de forma relevante em abril, o que merece monitoramento nos próximos meses”, avaliam os analistas.

Na visão trimestral, o índice de atraso superior a 90 dias ficou em 17,6% — queda de 40 pontos-base em relação ao ano anterior, mas alta de 80 pontos-base no trimestre.

Ecossistema de longo prazo versus dor de curto prazo

Apesar dos alertas de margem, o BTG reafirma a tese estrutural da companhia.

“A penetração de crédito ainda é baixa em relação à base de usuários da plataforma, sugerindo opcionalidade significativa à medida que a inclusão financeira avança na América Latina”, destacam Guanais, Cesquim e Cendon.

O crédito, junto com a publicidade digital, é apontado como um dos dois pilares que expandem a discussão sobre o Mercado Livre além do e-commerce puro, criando um ecossistema autorreforçante difícil de replicar.

“Embora continuemos a ver o Mercado Livre como um compounder estrutural de longo prazo em e-commerce e fintech na América Latina, o dilema entre crescimento e margens persiste no curto prazo”, concluem os analistas, que acompanharão de perto a trajetória de opex, margens incrementais sobre o GMV e investimentos em inteligência artificial nos próximos trimestres.

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