O recuo das ações do Nubank (NU; ROXO34) ainda não é suficiente para compensar os riscos sobre os lucros, segundo o Itaú BBA. O banco manteve recomendação neutra e cortou de US$ 18 para US$ 15 o preço-alvo para o fim de 2027, diante da perspectiva de perdas maiores com crédito e pressão sobre as margens.
Mesmo reduzido, o alvo representa potencial de alta de 25,3% sobre a cotação de US$ 11,97 usada no relatório, de 28 de outubro.
“A queda das ações do Nubank levantou dúvidas sobre a criação de um ponto de entrada. Não acreditamos nisso; pelo contrário, vemos riscos de novas perdas. O recuo parece ter sido provocado principalmente por fatores externos, incluindo a curva de juros dos Estados Unidos e preocupações com a economia brasileira, e ainda pode haver uma nova queda provocada pelos resultados”, escrevem os analistas.
Inadimplência e margens pressionam projeções
O BBA reduziu em aproximadamente 4% a estimativa de lucro para 2027, para US$ 4,40 bilhões. A projeção ficou 19% abaixo do consenso de mercado considerado pelo banco.
Inflação acima do esperado, perspectiva de desemprego maior em 2027 e comprometimento elevado da renda com dívidas estão entre os fatores citados pelos analistas Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen.
“Esperamos que a atividade mais fraca e os orçamentos familiares mais apertados limitem tanto a demanda por crédito quanto a capacidade de pagamento dos tomadores, com clientes de menor renda e produtos sem garantia provavelmente sentindo os efeitos primeiro”, afirma o relatório.
O banco também prevê desaceleração da carteira e avalia que o México ainda não tem escala suficiente para compensar um crescimento menor no Brasil.
As margens devem perder força com a migração para clientes de maior renda e menos ganhos com os custos de captação no México. A expansão internacional também deve manter as despesas pressionadas, segundo os analistas.
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Novas regras do BC ampliam incertezas
O relatório também destaca medidas do Banco Central voltadas ao superendividamento. As normas preveem mais transparência sobre dívidas e controle sobre ofertas ativas de crédito, com as principais obrigações previstas para entrar em vigor em 2027.
Para o BBA, a exposição do Nubank a cartões e empréstimos pessoais sem garantia, somada à expansão por ofertas digitais, pode aumentar a sensibilidade da companhia a essas mudanças. O impacto sobre os resultados ainda é incerto.
O balanço do 3T26 está previsto para 12 de novembro. Na prévia, o banco estima lucro de US$ 1,06 bilhão, projeção que permaneceu inalterada neste relatório.
Apesar da cautela, os analistas continuam vendo o Nubank como um vencedor de longo prazo, mas aguardam maior clareza sobre os resultados antes de adotar uma visão mais favorável.






