A Natura (NATU3) trocará de comando em outubro. João Paulo Ferreira deixa o cargo de CEO em 30 de setembro e já saiu do Conselho de Administração, enquanto Alessandro Carlucci, até então presidente do colegiado, assume a função executiva a partir do dia 1º.
A movimentação foi bem recebida pelo Bradesco BBI, ainda que sem alterar a leitura sobre o papel. A recomendação segue neutra.
“Vemos com bons olhos o retorno de Carlucci depois de 12 anos. Como ex-CEO nos anos de maior destaque da Natura em margens, retorno sobre patrimônio e distribuição de dividendos, ele reúne conhecimento institucional e histórico comprovado de liderança”, apontam Pedro Pinto e Flávia Meireles, analistas do Bradesco BBI.
Pelo estatuto da companhia, Carlucci precisou deixar a presidência do Conselho ao aceitar o cargo executivo. Para a vaga, a Natura nomeou Fabio Barbosa, hoje membro do Conselho Consultivo, que retorna à presidência do órgão.
Um cenário diferente do que ele deixou
“O setor de beleza e cuidados pessoais e a própria Natura enfrentam hoje uma realidade bastante distinta daquela da gestão anterior. O ambiente competitivo e os problemas operacionais atuais vão exigir forte capacidade de execução e possivelmente novos ajustes”, observam Pinto e Meireles.
Sobre o executivo que sai, o banco fez questão de registrar o saldo dos 17 anos de casa, incluindo uma década à frente da unidade de negócios da marca Natura e, depois, da organização inteira.
“Durante sua gestão, a empresa atravessou marcos importantes, como a transformação do canal de vendas diretas e a integração da Avon”, disseram Pedro Pinto e Flávia Meireles, analistas do Bradesco BBI.
Advent entra em cena
A troca no comando acontece praticamente ao mesmo tempo em que a Advent passa a integrar de fato o grupo de acionistas de referência da companhia. A leitura do BBI é que a combinação pode reforçar a cobrança por resultados dentro da organização, num momento em que o desempenho operacional continua fraco e parte das dificuldades vem de decisões tomadas internamente.
“Embora vejamos esses acontecimentos como positivos e na direção correta, seguimos cautelosos em relação às perspectivas operacionais de curto prazo. Por isso mantemos a recomendação neutra para as ações”, projetam Pinto e Meireles.






