A XP Investimentos saiu mais confortável com a execução recente do PicPay (PICS) em consignado privado após uma rodada de reuniões com investidores no Rio de Janeiro. O crédito, contudo, segue como o tema que mais mobiliza o mercado.
“Não vimos deterioração nos indicadores antecedentes, e a companhia já vem adotando uma postura mais seletiva na margem. O consignado privado continua com uma relação risco-retorno atrativa, mesmo depois das mudanças regulatórias”, apontou Bernardo Guttmann, analista da XP Investimentos.
O encontro reuniu Eduardo Chedid (CEO), André Cazotto (CFO e diretor de RI) e Pedro Lippi (diretor de RI). As perguntas se concentraram em consignado privado, comportamento da inadimplência e como a carteira reagiria a um quadro macroeconômico mais fraco em 2027.
“Além do crédito, as conversas reforçaram a melhora da monetização da plataforma, os ganhos de eficiência puxados por inteligência artificial e o surgimento gradual de novas avenidas de crescimento, como pequenas e médias empresas e seguros”, observou Matheus Guimarães, analista da XP Investimentos.
Consignado privado: do FPD de 30% ao patamar de 8,5%
O produto que hoje sustenta a narrativa começou torto. O PicPay entrou cedo no segmento e viu a inadimplência de primeira parcela (FPD) chegar perto de 30% nas primeiras safras, antes de convergir para algo próximo de 17%. Desde outubro, após refinamentos nos modelos de concessão, o indicador roda ao redor de 8,5%.
“Algumas premissas iniciais se mostraram conservadoras, sobretudo quanto à rotatividade de funcionários e à velocidade de recolocação no mercado de trabalho. Isso ajudou a compensar uma complexidade operacional maior do que a prevista nas fases iniciais do produto”, disse Guilherme Meneghetti, analista da XP Investimentos.
“As originações estão em torno de R$ 700 milhões por mês, e a percepção da administração é de que poderiam estar perto de R$ 1 bilhão sem o limite regulatório mais recente. Ainda assim, o ROI marginal segue ao redor de 80%”, calculou Guimarães.
Qualidade de crédito e o teste de 2027
A regulação permanece como variável externa relevante e a concorrência tende a aumentar conforme mais participantes ganhem confiança no segmento. Mesmo assim, o produto se encaixa na estratégia de direcionar o crescimento da carteira para linhas com margem financeira ajustada ao risco mais atrativa.
A administração admite que a inadimplência acima de 90 dias deve continuar subindo com o amadurecimento da carteira, sem que os níveis de cobrança tenham piorado até aqui.
“O crescimento vem sendo direcionado para produtos com garantia, e cerca de dois terços do avanço incremental em cartões vêm de aumentos de limite para safras mais maduras. Os investidores devem seguir monitorando se o desempenho das safras fica em linha com o que a administração projeta”, projetou Guttmann.






