O Safra cortou o preço-alvo de Vivara (VIVA3) de R$ 24,00 para R$ 23,00 por ação e manteve a recomendação neutra, com potencial de valorização de apenas 5% em 12 meses. O incômodo do banco está no estoque.
A companhia carrega hoje 580 dias de inventário, patamar que os analistas classificam como risco material tanto para o crescimento quanto para a rentabilidade. Para reduzi-lo, a Vivara vem freando o ritmo de produção — e essa decisão já cobrou seu preço nas vendas líquidas, por conta da menor captura de incentivos fiscais.
“A produção mais baixa deve continuar pesando enquanto os estoques permanecerem elevados. É um efeito que já apareceu nos últimos trimestres e não se resolve rapidamente”, apontam Vitor Pini, Renan Sartorio e Tales Granello, analistas do Safra.
Life no centro do risco
A divisão Life, hoje o segmento de crescimento mais acelerado da companhia, é justamente a mais exposta a um consumo enfraquecido. O banco trabalha com um ambiente macroeconômico mais adverso à frente, o que pode desacelerar essa avenida.
“Se as condições macro reduzirem o crescimento da Life, a situação piora. A companhia seria forçada a carregar estoque por mais tempo, elevando o custo de manutenção, ou a promover novas remarcações de preço”, observam Pini, Sartorio e Granello.
Qualquer um dos dois caminhos leva ao mesmo lugar: compressão adicional de margem. Foi com essa leitura que o banco mexeu nas projeções para 2026, cortando a receita líquida em 1%, a margem Ebitda em 20 pontos-base e o lucro líquido em 2%.
Onde o Safra prefere estar
“A receita menor reflete o momento mais fraco de vendas, puxado pela captura menor de incentivos fiscais. Somamos a isso despesas maiores para sustentar o volume, e o resultado foi o corte na margem”, calculam Vitor Pini, Renan Sartorio e Tales Granello, analistas do Safra.
No valuation, a ação negocia a 7,8 vezes o lucro projetado para 2027, acima da média de 7,4 vezes da cobertura de consumo discricionário do banco. O preço-alvo vem de um fluxo de caixa descontado com custo de capital próprio de 16,6%, WACC de 13,4% — inalterado — e crescimento na perpetuidade de 5,0%. Nos R$ 23,00, o papel negociaria no mesmo múltiplo de 7,8 vezes.
“Com a visibilidade reduzida sobre a rentabilidade depois do impacto do freio na produção sobre as margens, vemos oportunidades mais atrativas no setor, como C&A, negociando a 4,3 vezes o lucro de 2027”, projetam Pini, Sartorio e Granello.






