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Mitre: vendas caem 32% no 2º trimestre; BTG mantém neutro

Mitre: vendas caem 32% no 2º trimestre; BTG mantém neutro

Distratos subiram 60% em um ano, para R$ 45 milhões, e a velocidade de vendas caiu de 15% para 9% do estoque disponível

A Mitre (MTRE3) passou o segundo trimestre de 2026 sem colocar um único empreendimento na rua — e a estratégia de vender apenas o estoque cobrou seu preço.

A Mitre reportou números operacionais fracos, ainda que amplamente em linha com nossas estimativas, impactados pela ausência de lançamentos no período“, escreveram Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, analistas do BTG Pactual.

As vendas líquidas somaram R$ 198 milhões, recuo de 32% em um ano. As brutas caíram 24%, para R$ 244 milhões, e os distratos — as vendas desfeitas pelos compradores — saltaram 60%, para R$ 45 milhões, comendo uma fatia maior do resultado.

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Velocidade

O ritmo do negócio também perdeu força. A velocidade de vendas, que mede a fatia do estoque vendida no trimestre, ficou em 9%, bem abaixo dos 15% do mesmo período de 2025 — reflexo de uma operação que dependeu inteiramente das unidades prontas ou em obras.

O ambiente não ajudou. Segundo o BTG, a venda de estoque no segmento de média e alta renda segue pressionada pelo cenário macro, com os juros do financiamento imobiliário teimosamente altos afastando compradores.

Nem mesmo o preço da ação convenceu o banco a mudar de posição.

“Embora a ação negocie a apenas 0,4 vez o valor patrimonial tangível, mantemos a recomendação neutra para os papéis da Mitre, dado o momento fraco de lucros”, concluíram Cambauva e Fabris — na prática, o mercado paga hoje menos da metade do patrimônio da incorporadora, e ainda assim o BTG prefere esperar.