O relatório de produção da Aura Minerals (AURA33) no segundo trimestre de 2026 fez jus ao título que o BTG Pactual lhe deu: “não foi sua melhor hora”.
A mineradora entregou 75,4 mil onças equivalentes de ouro (GEO), queda de 8% frente ao primeiro trimestre — ainda que 18% acima de um ano antes, na conta do Banco Safra.
O caixa, ao menos, não deve decepcionar. As vendas de 77 mil onças superaram a produção, o que deixou o BTG confortável com o Ebitda estimado de US$ 200 milhões no trimestre, enquanto o Safra manteve a projeção de US$ 204 milhões.
A conta do guidance
A discussão agora é a meta anual, de 340 mil a 390 mil onças.
“Com a produção do primeiro semestre somando 157 mil onças, a Aura precisará aumentar a produção em mais de 15% no segundo semestre para alcançar o piso do intervalo — acreditamos que isso segue alcançável“, escreveram Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, do BTG.
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O Safra fez conta parecida e chegou a diagnóstico igual.
“Quando anualizado, esse nível permanece 7% abaixo do piso do guidance para 2026”, apontaram os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro.
Ainda assim, a dupla espera “produção mais forte no segundo semestre nas principais operações”, suficiente para compensar a recuperação mais lenta da mina MSG e manter a empresa dentro da meta.
Quem brilhou e quem decepcionou
No detalhe, o trimestre teve dois lados. Aranzazu liderou com 17,9 mil onças, alta de 14% em três meses, ajudada pelo cobre mais caro na conversão e por teores melhores, enquanto Almas produziu 16,1 mil onças — avanço de 25% em um ano, fruto da expansão da planta.
Na outra ponta, Apoena foi a maior decepção, com 5,7 mil onças (queda anual de 30%, por teores e recuperação menores), Minosa recuou 18% no trimestre com o empilhamento na pilha de lixiviação, e Borborema sentiu o sequenciamento da mina.
Já a MSG, com 7,2 mil onças, veio melhor que o temido: “a companhia continuou avançando em sua estratégia de turnaround, com investimentos em infraestrutura subterrânea”, observou o time do Safra.
Ação pressionada, compra mantida
Para o papel, o alívio pode demorar.
“Não ficaríamos surpresos se a ação permanecesse sob pressão nas próximas semanas, até que os investidores ganhem mais confiança na entrega do segundo semestre”, ponderou o trio do BTG, lembrando que o ouro caiu 7% no trimestre e que o valuation embute expectativas altas.
A tese de longo prazo, contudo, saiu ilesa nas duas casas. O BTG reiterou a compra, citando o caminho para 600 mil onças anuais, o histórico da gestão em recuperar operações e o papel negociando a 0,6 vez o valor líquido dos ativos.
“Acreditamos que isso é mais um tropeço de curto prazo do que uma mudança na história de crescimento”, concluíram Correa, Arazi e Gotardo.






