O mesmo El Niño que tira o sono das hidrovias do Norte pode encher os vagões da Rumo (RAIL3). Depois que a probabilidade de um evento muito forte no fim do ano saltou para 81%, o Banco Safra atualizou a leitura: “a mais recente atualização climática é, em nossa visão, fortemente favorável à Rumo”, escreveram os analistas Luiz Peçanha e Arthur Godoy.
Os números vêm do Climate Prediction Center, o centro americano de previsão climática, que revisou nesta quinta-feira (9) o cenário até abril de 2027.
A chance de um El Niño muito forte entre setembro e novembro subiu de 48% para 71%, e, no trecho de outubro a dezembro, de 62% para 81%.
“Essas revisões reforçam a expectativa de um padrão climático mais disruptivo na entrada do último trimestre de 2026”, apontou a dupla do Safra.
Rios do Norte no grupo de risco
O histórico explica a preocupação. Em episódios moderados ou fortes do fenômeno, a profundidade dos rios da região Norte caiu mais de 17%; nos muito fortes, o recuo passou de 30% — o suficiente para travar as barcaças que escoam a safra pelo chamado arco norte.
Por ora, as réguas estão comportadas: o Tapajós marca 6,29 metros em Itaituba e 6,71 metros em Santarém, e o Amazonas, 7,17 metros, todos perto dos níveis históricos.
O problema é o que vem pela frente — e é por isso que a Hidrovias do Brasil (HBSA3) segue com recomendação neutra: “o risco hidrológico elevado e a possibilidade de interrupções climáticas prolongadas limitam o potencial de alta no curto prazo”, avaliaram Peçanha e Godoy.
O desvio que enche o trem
A lógica que favorece a Rumo é a do caminho alternativo.
“Historicamente, em períodos de restrição nos corredores logísticos do Norte, as exportações de grãos foram redirecionadas para os portos do arco sul, notadamente Santos”, lembraram os analistas — justamente o destino da malha ferroviária da companhia.
Com mais carga disputando menos capacidade, a empresa ganharia duas vezes.
“Acreditamos que a Rumo pode capturar crescimento incremental de volume e ganho de preços no quarto trimestre de 2026”, projetou o time do Safra, para quem a demanda redirecionada encontraria rotas alternativas já apertadas.






