A surpresa do IPCA de junho chegou às planilhas dos economistas. No relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central, a mediana para a inflação oficial de 2026 caiu de 5,30% para 5,16% — o primeiro ajuste relevante em meses, na esteira do índice de 0,16% de junho, bem abaixo do que o mercado esperava.
O IGP-M acompanhou o movimento, e com folga. A projeção para o índice geral de preços em 2026 recuou de 5,68% para 5,61% na semana e acumula queda de 0,61 ponto percentual em um mês — há quatro semanas, a mediana estava em 6,22%.
No calendário curto, o alívio é ainda mais visível: os economistas esperam IPCA de 0,29% em julho e deflação de 0,08% em agosto, antes de o índice voltar a subir em setembro (0,47%). Já 2027 anda na contramão — a mediana para a inflação do ano que vem subiu a 4,20%, na oitava semana seguida de alta.
Selic: 14% na mediana, 13,75% nas apostas recentes
Nos juros, a fotografia esconde o filme. A mediana geral vê a Selic encerrando 2026 em 14% ao ano, com o corte já na reunião de agosto do Copom.
Entre os que atualizaram suas projeções nos últimos cinco dias úteis, porém, a taxa de fim de ano já aparece em 13,75% — sinal de que o IPCA fraco reforçou as apostas em mais um corte. Para os anos seguintes, o mercado projeta 12% em 2027, 10,50% em 2028 e 10% em 2029.
PIB estável, fiscal ainda no vermelho
Na atividade, pouca novidade: o PIB de 2026 segue com alta esperada de 1,99%, enquanto a projeção para 2027 cedeu de 1,69% para 1,65%. O câmbio permanece ancorado em R$ 5,20 por dólar neste ano e R$ 5,28 no próximo.
O ponto fraco continua sendo as contas públicas. A estimativa para o déficit nominal de 2026 piorou pela terceira leitura seguida, para 8,78% do PIB, com a dívida líquida do setor público projetada em 69,87% do PIB — lembrete de que, mesmo com a inflação cedendo, o lado fiscal segue limitando o espaço de manobra do Banco Central.
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