As ações da Minerva (BEEF3) devem continuar pressionadas por causa do contexto de incertezas relacionadas aos impactos decorrentes da guerra entre Estados Unidos e Irã, que trazem aumento no preço dos fretes, bem como o impacto que a imposição das salvaguardas chinesas terá sobre o resultado da companhia ao longo do ano. É o que avalia relatório do BB Investimentos.
“Nesse contexto, apesar de considerarmos o papel está bastante descontado, entendemos que as ações deverão seguir pressionadas, com os investidores optando por se posicionar somente após observarem sinais mais claros dos impactos decorrentes desses eventos. Diante disso, optamos por manter nossa recomendação em Neutra”, diz trecho do relatório.
O preço-alvo foi projetado para o final de 2026 em R$ 8 implica em um EV/EBITDA de 4,1x e um P/L de 7,4x, em linha com a média observada nos últimos dois anos para as ações da companhia frigorífica.
Segundo o relatório, o preço corrente, contudo, está negociando a um desconto de 49% do P/L médio dos últimos 2 anos, o que a casa de análise considera bastante excessivo dado que os riscos relacionados à execução da integração dos ativos adquiridos da Marfrig e a redução da alavancagem ficaram para trás.
Desempenho em 2025
Ao final do ano passado, a Minerva reportou receita líquida de R$ 55 bilhões, próximo do topo das projeções, com margem EBITDA de 8,7%. Apesar das despesas financeiras terem vindo superiores às estimativas, alcançando R$ 3 bilhões, houve liberação de capital de giro de quase R$ 900 milhões.
Essa liberação de capital permitiu à companhia gerar um fluxo de caixa de R$ 1,5 bilhão e reduzir sua alavancagem financeira para 2,6x ao final do ano, abaixo das melhores estimativas do mercado, inclusive as do próprio BB.
Na teleconferência de resultados referentes ao último trimestre de 2025, a diretoria comentou que seria possível esperar um crescimento da receita em torno de 6 a 10% para este ano, considerando principalmente que a demanda internacional segue aquecida, o que deve permitir incremento nos preços médios, além de um crescimento advindo do volume comercializado pela companhia em um ano que os ativos operarão 100% integrados.
“Do lado da rentabilidade, a expectativa é de pressão sobre os custos advindos tanto da elevação no preço do boi gordo, principal matéria-prima dos frigoríficos, quanto de pressões decorrentes do conflito entre Estados Unidos e Irã, que já tem dado sinais de elevação nos custos logísticos”, diz trecho do relatório.
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