O Santander (SANB11) reforçou ao mercado que segue comprometido com a melhora da rentabilidade, com meta de ROE (Return on Equity) acima de 20% até 2028 e continuidade da agenda de eficiência.
Ainda assim, o Bradesco BBI avaliou que, embora os avanços estruturais sejam importantes, a tese ainda depende de execução consistente e parte dessa melhora já parece refletida nos preços, o que sustenta a recomendação neutra para as units.
Na segunda-feira (23), o banco reuniu analistas em encontro com o CEO Mario Leão, o ex-CFO Gustavo Alejo e o novo CFO Carlos Muniz.
A principal mensagem da gestão, segundo o BBI, foi de continuidade estratégica, com a redução da volatilidade do balanço como uma das principais alavancas para elevar a rentabilidade nos próximos anos.
“A decisão de saída do CEO foi reforçada como estritamente pessoal, sem relação com mudanças de estratégia ou desalinhamentos com o grupo”, apontaram os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, do Bradesco BBI, em nota distribuída nesta terça-feira (24).
A instituição espera capturar esse efeito inicialmente pela melhora da margem financeira, impulsionada por resultados de Tesouraria mais estáveis, e depois pela queda gradual no custo de risco. A trajetória ganha relevância especialmente após o aprofundamento dos programas de hedge desde 2024, que devem trazer maior previsibilidade à margem.
A estratégia segue concentrada nos segmentos de alta renda, PME e médias empresas, enquanto o portfólio de baixa renda é progressivamente reduzido. Esse segmento tem pressionado a inadimplência e afetado o mix de margens, de modo que seu encolhimento representa uma das alavancas centrais para a normalização do custo de risco ao longo dos próximos trimestres.
No front operacional, o banco manteve sua expectativa de margem com mercado estável, com possibilidade de contribuição positiva via marcação a mercado à medida que o perfil de risco da carteira evolui.
Em despesas, a agenda de eficiência avança com fechamento de agências e revisão estrutural de despesas gerais e administrativas, com iniciativas tecnológicas como o projeto global de nuvem Gravity sinalizando capacidade de conter custos mesmo em ambiente de maior investimento.
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BBI mantém cautela
A meta de ROE (Return on Equity) acima de 20% foi mantida pela gestão, contudo com projeção estendida para 2028. O prazo mais longo reflete o ritmo de ajuste do portfólio e a necessidade de execução consistente para que os ganhos de eficiência e a normalização das provisões se materializem plenamente.
“Reconhecemos avanços estruturais relevantes, mas acreditamos que parte dessa melhora já esteja refletida nos preços atuais, enquanto a materialização do guidance de rentabilidade exigirá execução consistente ao longo dos próximos trimestres,” avaliaram Mizrahi e Chanes.
O Bradesco BBI mantém recomendação neutra para as units do Santander Brasil (SANB11). No entanto, a casa avalia que a evolução do resultado financeiro abre espaço para contribuições positivas adicionais em 2026, o que pode antecipar parte da tese de valor ao longo do ano.






